A Rua da Fábrica da Pólvora de Alcântara

Freguesia de Alcântara
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Fábrica de Pólvora que no local funcionou depois de 1690 – e sobre a qual mandou D. João V  construir outra maior – originou a fixação no local da Rua da Fábrica da Pólvora, que hoje une a Rua da Cruz a Alcântara à Avenida de Ceuta.

A Rua da Fábrica da Pólvora em 1856, na planta de Filipe Folque

Em 1653, um Decreto régio  de 19 de fevereiro, de D. Pedro II,  ordenava ao Senado da Câmara que não impedisse o fabrico de pólvora, necessária para as conquistas e naus da Índia e procurasse eleger lugares para a construção da fábrica. E de acordo com o olisipógrafo Norberto de Araújo, nesta rua que segue lateralmente o espaço que foi a Ribeira de Alcântara começou a ser construída em 1690, por Carlos Sousa e Azevedo, uma rudimentar fábrica de pólvora. Depois D. João V mandou construir outra maior no mesmo lugar, acabada em 1728 por António Cremer que era então o intendente da Pólvora do Reino. Após o Terramoto de 1755 cessou a sua atividade e o fabrico de pólvora foi transferido para a antiga Fábrica da Ribeira de Barcarena, que datava do século XVII e  abastecia o exército português, tanto mais que tinha sido reedificada entre 1725 e 1729, sendo depois alargada e remodelada com materiais da fábrica de Alcântara.

O secretário de estado, Diogo de Mendonça Corte Real emitiu um aviso ao Senado municipal, com data de 23 de abril de  1735, para que fosse consertado um lanço da calçada que vai a ponte de Alcântara até à Fábrica da Pólvora, para que as carroças que a transportavam não corressem riscos devido aos grandes atoleiros aí existentes.

Após a remodelação paroquial de 1770, a Rua da Fábrica da Pólvora aparece na descrição e planta da nova freguesia de São Pedro em Alcântara, correspondendo ao aumento demográfico na zona após o Terramoto. E pelo Edital de 3 de outubro de 1919, as portas com os nºs 142  e seguintes até ao nº 147, situadas num troço da via pública a que antigamente o vulgo dava o nome de Largo dos Tanques, foram desanexadas da Rua da Cruz em Alcântara onde estavam indevidamente e foram incorporadas na Rua da Fábrica da Pólvora.

Esta Rua da Fábrica da Pólvora teve também durante alguns anos como morador, o escritor D. Francisco Manuel de Melo, na sua Quinta do Cabrinha, que nela faleceu em 13 de outubro de 1666. No séc. XIX, foi esta artéria também a morada da Fábrica de Chitas ou Fábrica da Cabrinha, instalação fabril ampliada em 1874.

Freguesia de Alcântara
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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4 thoughts on “A Rua da Fábrica da Pólvora de Alcântara

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  3. The Secretary of State, Diogo de Mendonça Corte Real, sent a warning to the city Senate, dated the 23rd of April 1735, that they should mend a stretch of road between the Alcântara bridge and the Gunpowder Factory, so that the carts which transported the powder were not put at risk by the quagmire there.

    After the 1770 reorganization of the parish, Rua da Fábrica da Pólvora appears in the description and the map of the new freguesia of São Pedro em Alcântara, in response to the population increase in the area post-earthquake. By the Notice of the 3rd of October 1919, numbers 142 – 147, situated on a stretch of the public road which people had formerly and unofficially called Largo dos Tanques, had their incorrect allocation to Rua da Cruz em Alcântara changed and were included in Rua da Fábrica da Pólvora instead.

    This Rua da Fábrica da Pólvora can also claim as one of its residents for several years the writer D. Francisco Manuel de Melo. He lived at his Quinta do Cabrinho and also died there on the 13th of October 1666. In the 19th century this road was also the home of the Chitas or Cabrinha Factory, which was extended in 1874.

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  4. The Gunpowder Factory which operated in this vicinity from 1690 – and on top of which D. João V ordered a larger one to be built – is the reason for the name Rua da Fábrica da Pólvora, a street which links into Avenida de Ceuta at Alcântara.

    In 1653, by a royal Decree of the 19th of February, D. Pedro II ordered the Senate of the Chamber not to impede the manufacture of the gunpowder needed for the conquests and the ships of the India run, and to find possible sites for the construction of a factory. According to the olissipographer Norberto de Araújo, it was in this street, which follows the route of what was the Alcântara River, that the construction of a rudimentary gunpowder factory was begun in 1690 by Carlos Sousa e Azevedo. D. João V later ordered a larger one to be built on the same site and this was completed in 1728 by António Cremer, the Inspector of the Royal Gunpowder at that time. After the 1755 earthquake it ceased work and the manufacture of gunpowder was moved to the old River Barcarena Factory, which dated from the 17th century and supplied the Portuguese army. That factory was all the better for having been re-built between 1725 and 1729 and then enlarged and re-designed later with material from the Alcântara factory.

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