A Rua do dono da Fábrica Alves Gouveia

Freguesia dos Olivais
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Francisco Alves Gouveia era o proprietário de uma estamparia que criou nos Olivais, assim como de um bairro para os seus operários, sito no arruamento entre a sua fábrica e a igreja, então denominado Rua das Casas Novas, mas que mais tarde virá a ser a Rua Alves Gouveia.

Tudo começa em 1874 quando o  industrial Francisco Alves Gouveia funda na antiga Quinta das Casas Novas, nos Olivais, a  Fábrica Francisco Alves Gouveia. Era uma  estamparia de tecidos, com tinturaria e branqueamento de algodões que gradualmente se foi expandindo para fora dos limites da primitiva quinta onde foi construída, sendo que  três anos depois do início da laboração, em 1877, empregava já mais de 200 operários.  Esta unidade fabril produzia chitas, zuartes (gangas azuis), lenços de cores e algodões branqueados, onde os processos manuais se mantiveram por mais de três décadas coexistindo com máquinas a vapor. O caminho-de-ferro nascera cerca de 20 anos antes, em 1856, a ligar Lisboa ao Carregado, tendo os Olivais uma estação própria que facilitava o escoamento de produtos.

Supomos que o industrial Alves Gouveia tenha falecido nos anos trinta do séc. XX, uma vez que a sua esposa  Maria José Marques Alves Gouveia comprou em 24 de agosto de 1932 um terreno no Cemitério do Alto de São João para a construção do jazigo (que ficou com o n.º 5618). Também porque a Fábrica mudou de nome em 1935 passando a designar-se União de Estamparia, Lda. e desde 1944 tornou-se a F. A. Gouveia Lda., denominação sob a qual solicitou à Câmara Municipal de Lisboa licença para demolição dos edifícios da fábrica de estamparia, na zona sul da Avenida de Berlim, em 18 de setembro de 1973, tendo assim esta empresa laborado quase cem anos.

Já o bairro operário disposto ao longo de um arruamento que virá a ser a Rua Alves Gouveia, surge oito depois do início da laboração da fábrica, em 1882, para as casas dos números pares, datando as dos  números ímpares de 1889. Francisco Alves Gouveia mandou construir  um bairro com habitações de renda económica para os seus trabalhadores,  no arruamento que se estendia desde a fábrica até à Igreja de Santa Maria e que nessa época se denominava Rua das Casas Novas. Alves Gouveia também mandou edificar um prédio no largo do rossio da Igreja, de maior volumetria e qualidade estética, provavelmente para os empregados técnicos e administrativos. Este bairro operário só ficou totalmente concluído em 1907 e a sua única artéria, que era também a principal via dos Olivais Velho, foi nomeada Rua Alves Gouveia, conforme aparece já na planta de Silva Pinto de março de 1907. Alves Gouveia também mandou construir no local uma escola primária para os operários e os filhos destes, bem como um clube de bairro, embora de todo o conjunto industrial e social edificado por este empresário hoje só sobrevivam as habitações operárias.

Finalmente, refira-se que nos Olivais de 1891 a 1896, foi erguido um chafariz, um coreto – onde então a Filarmónica Capricho Olivalense abrilhantava os bailes de domingo – e ainda, um urinol público em ferro, no Rossio dos Olivais delineado após o terramoto de 1755 (é a Praça da Viscondessa dos Olivais desde 22 de julho de 1892), que alguns estudiosos apontam ter sido Francisco Alves Gouveia o mecenas destes equipamentos.

Freguesia dos Olivais
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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One thought on “A Rua do dono da Fábrica Alves Gouveia

  1. Francisco Alves Gouveia was the owner and initiator of a textile printing works in Olivais, as well as of a row of housing for his factory workers, which formed a street between his factory and the church. It was called Rua das Casas Novas at that time, but would later become Rua Alves Gouveia.

    It all started in 1874, when the industrialist Francisco Alves Gouveia established the Francisco Alves Gouveia Factory in the former Quinta das Casas Novas in Olivais. It was a factory for the printing of textiles and for the dyeing and bleaching of cottons. It gradually expanded beyond the boundary of the original Quinta where it had been built, and in 1877, three years after work had begun, it already employed over 200 factory workers. The factory produced chintz, blue cotton (denim), coloured scarves and bleached cotton. For over three decades the factory continued with manual processes alongside steam-powered machines. The railway had come into existence about 20 years earlier, in 1856, linking Lisbon to Carregado, and Olivais had its own station, which facilitated the transport of products.

    It must be supposed that the industrialist Alves Gouveia passed away in the 1930s, as his wife Maria José Marques Alves Gouveia purchased on the 24th of August 1932 a plot in the Alto de São João Cemetery for the erection of a headstone (listed as no. 5618). And also because the Factory changed its name in 1935, to United Printing, Ltd. From 1944 it became F. A. Gouveia, Ltd. And it was under this name that it sought the permission of Lisbon City Council for the demolition of the printing factory’s buildings, in the area south of Avenida de Berlim, on the 18th of September 1973, after almost 100 years in business.

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