A Rua da Fábrica de Estamparia da Gualdim Pais

Freguesia do Beato
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua da Fábrica de Estamparia, na freguesia do Beato,  guarda desde 2004 a memória de uma unidade fabril de estampagem da 2ª metade do século XIX, sediada numa importante concentração fabril de Xabregas dos séculos XIX e XX, a Estrada de Chelas , mas que mais tarde será registada como da Rua Gualdim Pais, no seu nº 57.

Este arruamento resulta da junção da Rua B e da Rua F à Rua Carlos Botelho sob o topónimo Rua da Fábrica de Estamparia através do Edital municipal de 10 de fevereiro de 2004. Pelo mesmo edital foram atribuídos nos restantes arruamentos do bairro outros topónimos relativos a fábricas, a saber, o Largo da Fábrica de Fiação de Xabregas, o Largo da Fábrica de Tecidos Oriental, a Rua da Fábrica de Tecidos Lisbonenses e a Rua da Fábrica das Moagens, assim perpetuando a edilidade lisboeta a memória da industrialização da zona do Beato e Xabregas desde meados do século XIX até quase ao final do século XX através de expoentes simbólicos dessa memória da zona oriental de Lisboa, industrialização que no pólo ocidental se centrou na Boavista, Alcântara e Belém.

Toda a zona de Xabregas esteve recheada de estamparias e as primeiras estabeleceram-se ali logo desde o século XVIII, como foram os casos das de António Ignácio de Almeida (1783 a 1834), de Bernardo José Pacheco na Quinta da Misericórdia (1786), de António Mercadé na Calçada de Chelas (1791), de João Gomes Loureiro e Paulo José Rocha (1795), de Joaquim José Vasques & Cª (anteriores a 1798) e de Manuel Lopes Pereira (referenciada em 1798). No século XIX ficaram arroladas as estamparias de Pedro Dias de Sousa (1822 a 1834), de Joaquim Pedro Xavier (anterior a 1813), de António José de Brito e a Vasques e Companhia. No início do século XX, já só existiam duas estamparias nesta zona,  que eram a de Ignácio de Magalhães Bastos & Cª e a de José Pedro de Mattos, ambas na então Estrada de Chelas, sendo que a primeira trabalhava materiais como o algodão e a lã, com um tipo de maquinaria moderna para a época e cerca de 80 operários, enquanto a segunda, com 150 trabalhadores, produzia peças como camisas ou lençóis para todo o país.

Na Estrada de Chelas funcionavam ainda a Fábrica de Grude, também de Ignácio de Magalhães Basto & Cª bem como a Fábrica de Fiação e Tecidos de Lã, de José Lourenço  de Medely & Filhos (pelo menos até 1907). A Fábrica de Estamparia a que este  topónimo se reporta nasceu na 2ª metade do século XIX na artéria que hoje conhecemos como Rua Gualdim Pais (assim denominada desde o Edital de municipal de 19 de junho de 1933 uma parte da antiga Estrada de Chelas), no espaço que teve o 57 como numeração de polícia. O historiador Jorge Custódio realça que «Na cota menor do vale veio a implantar-se uma avenida – a Estrada de Chelas – , espécie de cordão umbilical da actividade industrial e comercial da vasta área, por onde saíram ainda os produtos hortícolas das quintas vizinhas.»

Na freguesia do Beato existiram ainda várias outras unidades fabris de relevo económico e social como a fábrica de João de Brito, mais tarde  conhecida como A Nacional; a fábrica de preparo de cortiça de José Viallonga; a fábrica de Licores de Moraes Ferrão & Irmãos; a Companhia Portuguesa de Fósforos; a Fábrica de Sabão Viúva Macieira & Filhos e a Fábrica de Sabão Sousa & Ca.

Freguesia do Beato
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

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2 thoughts on “A Rua da Fábrica de Estamparia da Gualdim Pais

  1. Two printing works still continued to function in Estrada de Chelas, at least until 1907: the Grude Factory (owned by Ignácio de Magalhães Basto & Cª), and the Wool Spinning and Weaving Factory of José Lourenço de Medely & Filhos. The Printing Factory to which our street name refers was created in the second half of the 19th century, in the street which we know today as Rua Gualdim Pais, with the official postal address of No. 57. (One section of the former Estrada de Chelas was re-named Rua Gualdim Pais via the city council Notice of the 19th of June 1933). The historian Jorge Custódio underlines that: “In the lower part of the valley an avenue has been established – Estrada de Chelas – a kind of umbilical cord for the industrial and commercial activity of this vast area, and by which the garden produce of the neighbouring farms also finds its exit.”

    In the freguesia of Beato there were also various other economically and socially important manufacturing businesses: the João de Brito factory, later known as The National; the cork processing factory of José Viallonga; the factory for Moraes Ferrão & Brothers Liquors; the Portuguese Match Company; the Soap Factories of Widow Macieira & Sons and Sousa & Co.

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  2. Since 2004, the street name Rua da Fábrica de Estamparia, in the freguesia of Beato, has commemorated a printing factory which was there in the late 19th century, where it was situated within what was an important concentration of manufacturing in Xabregas in the 19th and 20th centuries, the Estrada de Chelas. The said factory was registered as No. 57 Rua Gualdim Pais, a later name for that section of Estrada de Chelas.

    This street name, Rua da Fábrica de Estamparia, given via the city council Notice of the 10th of February 2004, was attributed to the combination of Rua B and Rua F, up to Rua Carlos Botelho. In the same Notice, the other streets in this neighbourhood were also given names related to factories: Largo da Fábrica de Fiação de Xabregas, Largo da Fábrica de Tecidos Oriental, Rua da Fábrica de Tecidos Lisbonenses and Rua da Fábrica das Moagens. In this way the Lisbon councillors were preserving the memory of the industrialization of the Beato and Xabregas areas, from the mid-19th century until almost the end of the 20th, through selected representatives of this aspect of east Lisbon. The centres of industrialization in the west of the city were at Boavista, Alcântara and Belém.

    The whole of Xabregas used to be full of printing works, the first of which had set up there in the 18th century: António Ignácio de Almeida (1783 to 1834), Bernardo José Pacheco in the Quinta da Misericórdia (1786), António Mercadé in the Calçada de Chelas (1791), João Gomes Loureiro and Paulo José Rocha (1795), Joaquim José Vasques & Cª (prior to 1798) and Manuel Lopes Pereira (to which there is a reference in 1798). In the 19th century, there were the printing works of Pedro Dias de Sousa (1822 to 1834), Joaquim Pedro Xavier (prior to 1813), António José de Brito and Vasques and Company. At the beginning of the 20th century, there were only two printing works left in the area: Ignácio de Magalhães Bastos & Cª and José Pedro de Mattos, both in what was then called Estrada de Chelas. The former worked materials such as cotton and wool, with a type of machinery which was modern for that period; it employed about 80 factory workers. The latter factory had 150 workers and supplied the whole country with items such as shirts and bed linen.

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