A Rua Actriz Palmira Bastos que se estreou no Teatro da Rua dos Condes

Inauguração da Rua Actriz Palmira Bastos nos anos 70 do séc. XX
(Foto: Arquivo Municipal de Lisboa)

Três anos após o seu falecimento, em 1970, Maria da Conceição Martins que se estreou  no Teatro da Rua dos Condes em 1890 e terminou a sua carreira aos 90 anos na peça As Árvores Morrem de Pé, deu o seu nome artístico de Palmira Bastos a uma Rua da freguesia de Marvila.

A Rua Actriz Palmira Bastos une hoje a Avenida Dr. Augusto de Castro à Rua Dr. José Espírito Santo e foi atribuída por Edital municipal de 4 de novembro de 1970 na artéria até aí designada por Rua I-12 da Malha I de Chelas, tendo a sua consagração na toponímia citadina partido da iniciativa do então Presidente da Câmara, Engº Santos e Castro, em despacho apresentado em 21/10/1970 à Comissão Consultiva Municipal de Toponímia.

Revista O Palco, 5 de março de 1912

Maria da Conceição Martins (Aldeia Gavinha/30.05.1875 – 10.05.1967/Lisboa), terceira filha de um casal de atores de uma companhia de teatro ambulante – sendo a mãe galega e o pai castelhano -,  também seguiu  carreira no teatro, durante 75 anos, com o nome artístico de Palmira Bastos.

Estreou-se em 1890, no Teatro da Rua dos Condes de que Sousa Bastos era o empresário, ainda sob o nome de Palmira Martins e foi depois vedeta de opereta, de revista, de comédia e do drama, bem como do teatro declamado, chegando a ser considerada a primeira-dama do teatro português, tendo em atenção que de 1913 até ao ano da sua morte foi primeira figura da companhia Amélia Rey Colaço – Robles Monteiro, onde aos 90 anos de idade teve um enorme êxito na peça As Árvores Morrem de Pé. Palmira Bastos integrou ainda o elenco do filme mudo O destino.

Palmira Bastos casou aos 19 anos, em 1894, com o autor e empresário teatral António de Sousa Bastos (1844 – 1911) e depois do falecimento deste, contraiu matrimónio com o ator e empresário de teatro António de Almeida Cruz (1879 – 1951).

Foi agraciada com o Prémio António Pinheiro (1955) pela sua encenação da peça de Pirandello Para Cada Um Sua Vontade, o Prémio Lucinda Simões (1965) pela sua interpretação em Ciclone de Somerset Maugham, assim como com lápides de homenagem no Teatro Copacabana do Rio de Janeiro (1960) e no Teatro S. Luiz (1965), as comendas da Ordem de Santiago (1959) e de Cristo (1965), bem como com a Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa.

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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