A Rua do autor e empresário teatral Sousa Bastos

Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Sousa Bastos, autor, encenador e empresário teatral, em Portugal e no Brasil, na transição do séc. XIX para o séc. XX, passou a dar nome a uma artéria lisboeta 84 anos após o seu falecimento, na freguesia de Marvila.

Para responder a um pedido dos CTT que solicitava topónimos para os arruamentos do Bairro do Alfenim, na área envolvente da Azinhaga do Vale Fundão, a edilidade alfacinha resolveu aí criar pela toponímia um Bairro de Autores Teatrais, através do Edital municipal de 20 de março de 1995, com a Rua Sousa Bastos, o Largo Álvaro de Andrade, a Rua Bento Mântua, a Rua Ernesto Rodrigues, a Rua Lino Ferreira, o Largo Vitoriano Braga e a Rua Xavier de Magalhães. A Rua Sousa Bastos, com a legenda «Empresário e Autor Teatral/1844 – 1911 »,  ficou no arruamento compreendido entre a Azinhaga do Vale Fundão e o Lote B do Bairro do Alfenim.

O Grande Elias, 8 de setembro de 1904

António de Sousa Bastos (Lisboa/13.03.1844 – 02.07.1911/Lisboa), filho do nobre napolitano D. Francisco de Judicibus e da lisboeta D. Joana Maria da Salvação de Sousa Bastos,  segundo o assento de batismo da Paroquial de Santa Isabel nascido no nº 87 do Largo do Patrocínio (seria provavelmente, o Largo do Monteiro) e batizado como António Rodrigo Francisco João Valeriano Bernardino Peregrino Ângelo André Carlos Nicolau Vicente José Augusto Máximo Magalhães de Sousa Bastos de Judicibus, tendo como padrinhos Rodrigo da Fonseca Magalhães e Maria Gertrudes Guimarães.

Concluída a instrução primária em Lisboa e o Liceu em Santarém, regressou a Lisboa para seguir o Curso de Agronomia no Instituto Agrícola que abandonou por se ter casado aos 21 anos e assim teve de avançar para sucessivos  empregos. Começou como jornalista no Álbum Literário  e seguiu depois para o Comércio de LisboaDiário ComercialGazeta SetubalenseGazeta do Dia, entre outros. Mesmo depois de se dedicar ao teatro ainda escrevia regularmente crónicas sobre teatro para o Diário de Notícias e colaborava com outros periódicos como o Espectador Imparcial, A Arte Dramática e a revista Ribaltas e Gambiarras.

Sousa Bastos notabilizou-se como autor, encenador e empresário teatral, em Portugal e no Brasil, dirigindo vários teatros, tanto em Lisboa como no Rio de Janeiro, São Paulo, Pará e Pernambuco, para além de ter sido o empresário de diversas companhias teatrais. Foi ele que em 1881 levou as primeiras digressões da revista à portuguesa pelo Brasil. Em Lisboa, foi o empresário e ensaiador dos Teatros da Rua dos Condes, do Príncipe Real (depois, denominado Teatro Apolo), da Trindade, do Avenida, entre outros.

Como autor dramático, somou mais de uma centena de obras, entre  revistas, operetas, comédias e dramas originais, para além de ter traduzido e adaptado outras peças. A primeira das mais de vinte revistas que escreveu subiu à cena em 1869 e intitulava-se Coisas e Loisas, enquanto as duas últimas revistas foram  Talvez Te Escreva (1901) e A Nove (1909). Na nota necrológica do jornal O Occidente afirma-se que «Essa popularidade veio-lhe sobre tudo das revistas que compoz e mais calaram no gosto publico, como as intituladas “Sal e Pimenta”, “Tim Tim por Tim Tim” e “Fim de Seculo”, além de muitas outras que fez, pois foi o primeiro, ou dos primeiros autores a compôr este género de peças». A popularidade das suas produções também se deveu à aposta em cenografias mais elaboradas, números musicais,  vedetas femininas e coristas.

Paralelamente, com o tipógrafo João António de Matos, Sousa Bastos fundou em 1877 a Empresa Literária de Lisboa que editou uma História de Portugal em 6 volumes, da autoria de António Enes, Bernardino Pinheiro, Eduardo Vidal, Gervásio Lobato, Luciano Cordeiro e Pinheiro Chagas, e uma História Universal traduzida. Ele próprio escreveu  Carteira do Artista (1898), com biografias de autores dramáticos, artistas, pontos, cenógrafos e anedotas do meio teatral português e brasileiro, num total de 866 páginas  impressas pela Antiga Casa Bertrand, assim como lançou um Dicionário do Teatro Português (1908) de 380 páginas, sobre  técnicas teatrais, autores dramáticos, atores e atrizes, empresários da área, publicadas pela Imprensa Libanio da Silva, para além de Lisboa velha: sessenta anos de recordações, 1850 a 1910.

Na sua vida pessoal, António de Sousa Bastos casou com Leopoldina Rosa Vieira Martins (1847 – 1879) em 24 de agosto de 1865, de quem teve vários filhos e depois de enviuvar voltou a casar, em 1 de julho de 1894, com a atriz Palmira Bastos, de quem teve duas filhas. Sousa Bastos sucumbiu à diabetes, aos 67 anos de idade,  tendo sido sepultado em jazigo particular no Cemitério dos Prazeres.

De entre as várias homenagens de que Sousa Bastos foi alvo destacamos o Teatro Sousa Bastos inaugurado em Coimbra no dia 15 de junho de 1914, uma Exposição comemorativa do seu centenário do nascimento em  1944 no Museu Rafael Bordalo Pinheiro seguida em 1947 da publicação pela edilidade lisboeta do seu livro Lisboa Velha.  Tem ainda ruas com o seu nome em Linda-a-Velha e em Odivelas.

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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