A Rua do funcionário público e presidente do Benfica dedicado ao teatro, Bento Mântua

Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Bento Mântua  foi um funcionário público da área das Finanças e o 12º Presidente do Sport Lisboa e Benfica,  que ainda se devotou a escrever para teatro e que 63 anos após o seu falecimento deu o seu nome a rua do Bairro do Alfenim, na freguesia de Marvila, com a legenda «Autor Teatral/ 1878 – 1932».

Foi a partir de um pedido dos CTT, para que fossem denominados os arruamentos junto à Azinhaga do Vale Fundão, que a edilidade lisboeta aproveitou a oportunidade para criar um Bairro dos Autores Teatrais no Bairro do Alfenim, por via da publicação do Edital municipal de 20 de março de 1995. A Rua Bento Mântua ficou no arruamento compreendido entre a Azinhaga do Vale Fundão e o Lote B12, tendo os outros autores teatrais escolhidos ficado como Largo Álvaro de Andrade (no Largo compreendido entre os lotes 21, 22 e 23   ),  Rua Ernesto Rodrigues (no arruamento compreendido entre a Rua Sousa Bastos e a Avenida Paulo VI, de acesso ao lotes C e D), Rua Lino Ferreira (no arruamento do Bairro do Alfenim que dá acesso às escolas), Rua Sousa Bastos (no arruamento compreendido entre a Azinhaga do Vale Fundão e o Lote B do Bairro do Alfenim), Largo Vitoriano Braga (no arruamento que partindo da Rua Sousa Bastos dá acesso aos lotes 8, 9, 14 e 15) e Rua Xavier de Magalhães (no arruamento compreendido entre a Rua Sousa Bastos e a Avenida Paulo VI, de acesso aos lotes 17 a 23).

O Domingo Ilustrado, 16 de agosto de 1925

Bento Joaquim Cortez Mântua (Lisboa- Belém/06.09.1878 – 20.12.1932/Lisboa- Anjos) foi um funcionário público que exerceu altos cargos no Ministério da Fazenda Pública (hoje, diríamos, das Finanças), que se dedicou também a ser dramaturgo – tal como mais tarde acontecerá com outro funcionário da CML, Virgílio Martinho- e ainda foi o 12º presidente do Sport Lisboa e Benfica por 8 mandatos consecutivos.

A primeira peça publicada de Bento Mântua foi Novo Altar, em 1905, a que se seguiram, entre outras criadas para os alunos da Escola da Arte de Representar, a  Má Sina (1908) – a 1ª a estrear no palco do Nacional em 1911 -, Gente Moça (1910), a peça em um ato A Morte (1912), Álcool e Ordinário… Marche (ambas em 1913) e O Fado (1915), inspirada no célebre quadro de José Malhoa e talvez a sua peça mais conhecida, com representações em Portugal e no Brasil. Fez um interregno para ser Presidente do Sport Lisboa e Benfica, de julho de 1917 a 25 de agosto de 1926, num total de 8 mandatos cumpridos, voltando ainda à dramaturgia em 1932 para publicar Quando o Coração Manda.

Há quem o considere como um dos criadores do teatro regionalista  e em 1916, com  Albino Forjaz Sampaio, publicou a  antologia de poetas portugueses e brasileiros intitulada O livro das cortesãs, que teve várias reedições.  Saliente-se ainda que poucos meses passados após a implantação da República, juntamente com António Pinheiro, Bento Faria, Emídio Garcia e Afonso Gaio, também integrou uma comissão constituída por algumas personalidades ligadas ao Teatro Livre e Teatro Moderno,  como Ramada Curto, para proceder a um inquérito à arte dramática nacional, para a reformar e adaptar às novas estruturas políticas, trabalho de que resultou em 22 de maio de 1911 a promulgação de um decreto que reformulou o ensino de arte teatral e mudou a imagem do Conservatório, tornando-o um dos mais sofisticados estabelecimentos europeus do género. Como homem de cultura que era, Bento Mântua também colaborou na revista Atlântida, no semanário Azulejos e à data do seu falecimento era jornalista de O Século.

Como presidente do clube das Águias de 22 de julho de 1917 a 25 de agosto de 1926, um dos marcos mais importantes foi o lançamento e conclusão do  Campo das Amoreiras, o primeiro que foi propriedade do clube, inaugurado em 6 de dezembro de 1925, para cujas obras contribui do seu próprio bolso, forma pela qual também liquidou as dívidas existentes à sua chegada ao clube. Saliente-se ainda nos seus mandatos a realização do primeiro jogo noturno de futebol no campo da Avenida Gomes Pereira, a organização do torneio anual de atletismo inter-clubes que foi único no decorrer da I Guerra e o desenvolvimento das modalidades de patinagem e hóquei em patins.

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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