Xavier de Magalhães, da Maria Rapaz e Lavadeiras de Caneças, numa Rua de Marvila

Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Jornalista e autor de teatro de revista e opereta, Xavier de Magalhães, o autor da revista Maria Rapaz e da letra das Lavadeiras de Caneças, está desde 1995 perpetuado numa artéria de Marvila, no Bairro do Alfenim, tendo  por companhia através do Edital municipal de 20 de março de 1995 mais 6 artérias de gente de teatro:  a Rua Sousa Bastos, o Largo Álvaro de Andrade, a Rua Bento Mântua, a Rua Ernesto Rodrigues, a Rua Lino Ferreira e o Largo Vitoriano Braga.

Com a legenda «Autor Teatral/1885 – 1948», a Rua Xavier de Magalhães consagra Ernesto Carlos Xavier de Magalhães (Lisboa/10.07.1885 – 04.03.1948/Lisboa), escritor de teatro e jornalista. Começou a trabalhar no periódico humorístico Os Ridículos, dirigido por Cruz Moreira (1862-1930) e qual chegou a ser subdiretor, pelo que não se estranha que também tenha feito  a letra do fado de Os Ridículos, com música de Henrique M. Cabral e dedicado a  Cruz Moreira, Caracoles de pseudónimo.  Este jornal foi uma das principais folhas humorísticas da época, tendo de 1895 a 1898, a sua primeira sede na Rua Augusta, nº 47 e na segunda, de 1905 a 1963, altura em que entra Xavier de Magalhães,  já era na Rua da Barroca, 131-1º. Xavier de Magalhães também foi colaborador em  O Zé, semanário de caricaturas e humorístico publicado de 1910 e 1 de Março de 1919 e dirigido por Estêvão de Carvalho (1881-1935), sediado  na Travessa da Espera, n.º 53 – 1º.

Como autor de teatro, estreou-se aos 22 anos com a comédia Faustina e a partir de 1911 especializou-se no género da revista. A sua opereta de costumes populares em 1 prólogo e 3 atos Maria Rapaz, escrita em parceria com Silva Tavares mais  Lourenço Rodrigues e com música do Maestro Filipe Duarte, foi um êxito  na década de vinte do Século Vinte. Ficaram famosas também A Filha do Panaça  bem como a sequela O Casamento de Ernestina, filha do Panaça.

Na sua carreira, de jornalista e de escritor, usou diversos pseudónimos dos quais destacamos Rata do Teatro, Ana de Bolena, Carlos Rodrigues, Comendador Baldança, D. Maria Flor da Murta, Efémero Júnior, Epaminondas II, Eurides, Gamalhães, Irmãos Unidos, Melle Etamine ou Paim de Pamplona.

Alguns dos seus maiores êxitos passaram pelas letras que escrevia para as revistas. Como «A Alma da Guitarra»(1926), o «Fado do Carroceiro» ou o «Fado Mau» que Costinha interpretou em Cozido à Portuguesa ( 1927), o «Pé Descalço», «A Lenda da Romã» ou «Fado do Povo» para a revista Sempre Fixe,  ou «O fado do Teatro» para a revista Sempre em Pé. E para a sua revista A Rambóia (1928), Xavier  de Magalhães escreveu «As Lavadeiras de Caneças» que Amália cantará mais tarde:

Dos fregueses a conduta
é pela roupa que se prova.
Mas lavada e bem enxuta
até fica como nova.

Com Lisboa sem vaidade
a saloia pede meças.
Há mais burros na cidade
do que há burros em Caneças!

Ai bate, bate
Bate a preceito!
Ai bate, bate
Esfrega co’a mão
Batida a eito
A roupa de feição
Ó vai
Ó vai com jeito
ou com sabão!

Se por cá rebenta o fogo
entre o povo e mais a tropa,
em Caneças vê-se logo
quando a gente aparta a roupa.

Eu conheço badamecos
que só vestem roupa fina
e até lavo papo-secos
que usam cuecas de menina.

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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