O Largo do autor de dramas de crítica social e de costumes Vitoriano Braga

Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Vitoriano Braga, autor de dramas de crítica social e de costumes no período da I República até à institucionalização da Censura , ficou perpetuado num Largo do Bairro dos Autores Teatrais, em Marvila, cinquenta e cinco após o seu falecimento aos 51 anos de idade.

A partir de um pedido dos CTT para que fossem atribuídos topónimos aos arruamentos da área envolvente da Azinhaga do Vale Fundão, foram dados por Edital municipal de 20 de março de 1995, os nomes de vários autores teatrais: Álvaro de AndradeBento Mântua, Ernesto Rodrigues, Lino Ferreira, Sousa Bastos, Xavier de Magalhães e Vitoriano Braga que ficou no Largo constituído pela Rua do Bairro do Alfenim que partindo da Rua Sousa Bastos dá acesso aos lotes 8, 9, 14 e 15.

Alma Nova, novembro de 1927

Vitoriano de Sousa Feio Peixoto Braga (Lisboa/11.06. 1888 – 30.01.1940/Lisboa), foi um funcionário da Companhia dos Caminhos-de-Ferro Portugueses que em paralelo se notabilizou como um autor teatral, a partir de 1908, muito conhecido pelos seus dramas teatrais que incidiam sobre a crítica social e de costumes, como A Casaca Encarnada, peça em 3 atos, representada pela primeira vez no Teatro Politeama em março de 1922, com cartaz de Almada Negreiros, protagonizada por Erico Braga e Lucília Simões, depois publicada pela Portugália em 1923. Também tiveram grande êxito as suas peças A Bi em parceria com Vasconcelos Sá (1911), Octávio (1916) pelo  escândalo que provocou ao abordar o casamento de conveniência e a homossexualidade latente e que Fernando Pessoa elogiou e até o motivou a escrever o ensaio Sobre o Drama ou O Salon de Madame Xavier (1918), Inimigos (1926), para além de ter publicado as comédias Extremo Recurso (1917), Conselho da Noite (1922), Entre as 5 e as 6 (1927) e  Lua de Mel (1928).

Luiz Francisco Rebello considerou que ele ocupou um lugar no teatro português, entre a implantação da República e a ditadura instaurada em 1926, em que exprimiu a crise económica, social e moral dos anos da guerra e do pós guerra. Depois da institucionalização da censura Vitoriano Braga abandonou a produção teatral.

Vitoriano Braga também colaborou na revista De Teatro como crítico e exerceu, interinamente, o cargo de comissário do governo junto do Teatro Nacional de Almeida Garrett, depois denominado D. Maria II, traduziu O Pequeno Eyolf de Ibsen que subiu à cena no Teatro São Carlos em 1923 e foi agraciado com o oficialato da Ordem de Santiago e Espada.

Paralelamente e de acordo com um estudo de Filomena Serra, Vitoriano Braga foi também um fotógrafo amador que retratou as principais figuras do Grupo de Orpheu –  Fernando Pessoa, Almada Negreiros (inclusive nus), Guilherme de Santa-Rita e José Pacheco – no  princípio do século XX, de quem era aliás, amigo, para além de retratos de Guerra Junqueiro, Rui Coelho ou Henrique Gonçalo de Mello Breyner. Utilizava o estúdio fotográfico de Pedro Lima,  na Avenida da Liberdade.

Na sua vida pessoal, Vitoriano Braga foi casado com Maria Isabel de Sousa Martins (sobrinha do Doutor Sousa Martins), assim como ginasta e jogador de futebol amador.

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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