A Rua César de Oliveira, o argumentista de revista e letrista do Sr. Feliz e do Sr. Contente

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

César de Oliveira , autor de teatro de revista  e de programas de televisão, logo dois dias  após o seu falecimento teve uma decisão da edilidade lisboeta em sessão de câmara para ser homenageado com a atribuição do seu nome a uma rua da cidade.

A sessão de câmara de 18 de janeiro de 1988 decidiu a atribuição do nome de César de Oliveira a um arruamento lisboeta, tendo para o efeito a Comissão Consultiva Municipal de Toponímia escolhido a Rua A à Azinhaga do Jogo da Bola, no Paço do Lumiar, arruamento que também era designado vulgarmente por Lugar das Areias, processo este que terminou com a publicação do edital em 29 de fevereiro de 1988 ficando a Rua César de Oliveira fixada com a legenda «Autor Teatral/1928 – 1988», a ligar a Azinhaga dos Ulmeiros à Azinhaga da Torre do Fato. Pelo mesmo edital foram também homenageadas em arruamentos da então freguesia de Nª Senhora de Fátima as atrizes Laura Alves e Ivone Silva.

César de Oliveira (Lisboa/14.08.1928 – 16.01.1988) foi a partir dos anos 60 do séc. XX uma figura fundamental do teatro de revista desenvolvido no Parque Mayer, como autor de peças de revista em parceria. Estreou-se em 1960, em parceria com José Augusto Ramos, na revista Espero-te à saída, para o Teatro ABC.  A partir de 1964, estabeleceu parceria com Rogério Bracinha e Paulo da Fonseca, terminada em 1973 por morte do último, com inúmeros êxitos como É regar e pôr ao luar, Sete colinas ou Alto lá com elas. Ficou popular a sua  letra da canção Cheira Bem, Cheira a Lisboa, com música do maestro Carlos Dias, criada para interpretação de Anita Guerreiro na revista Peço a Palavra (1969). César de Oliveira também redigiu outras letras para fados ou marchas populares, para as vozes de Fernanda Batista, Hermínia Silva, Tony de Matos ou António Calvário.

Do muito que escreveu destaquem-se as revistas Quem tem boca vai a Roma para o Teatro Capitólio, Peço a palavra para o Variedades, Pra frente Lisboa e Mulheres é comigo para o Teatro Monumental. Ainda nos anos setenta assinou a autoria das revistas O Zé Faz Tudo (1971), Saídas da Casca (1972) e Aldeia da Roupa Suja (1975). Foi também o responsável por levar até ao Parque Mayer  Ary dos Santos e Bernardo Santareno, para serem co-autores de Uma no cravo outra na ditadura, Pra trás mija a burra, Afinal como é, Águas de bacalhau (1977) e Ó da guarda, todas no ABC. Escreveu também para  A grande cegada do Teatro Ádóque e  o seu último êxito foi Lisboa, Tejo e Tudo (1987), com argumento seu e de Raul Solnado e Fialho Gouveia, assim como encenação sua.

Também foi argumentista dos filmes Rapazes de táxi, de Constantino Esteves, com Rogério Bracinha, Jerónimo Bragança, Paulo da Fonseca e José Ramos bem como de Um cão e dois destinos de Alain Bornet, com Rogério Bracinha e Paulo da Fonseca, ambos em 1965; Sarilho de fraldas (1966) de Constantino Esteves, com Augusto Ramos e Rogério Bracinha; e O destino marca a hora (1970) do realizador Henrique Campos, em parceria com Rogério Bracinha e Paulo da Fonseca.

O seu envolvimento na televisão portuguesa acontece após o 25 de Abril de 1974, sendo ele o autor das letras musicadas por Thilo Krassman para o Sr. Feliz e o Sr. Contente, a dupla que encantava com o seu «diga à gente, diga à gente, como vai este país…», protagonizada por Herman José e Nicolau Breyner, rábula da série televisiva de 1975 intitulada Nicolau no País das Maravilhas, de que era argumentista com Rogério Bracinha e Ary dos Santos. César de Oliveira ficou ainda na memória dos portugueses como o autor de Sabadabadu, em parceria com Melo Pereira, programa de entretenimento que passou na RTP em 1981, onde pontificavam Ivone Silva e Camilo de Oliveira. Foi ainda o autor de programas de humor como O espelho dos Acácios (1978), Ivone Silva A Faz Tudo  (1978) programa realizado por José Fonseca e Costa, Gente fina é outra coisa (1982), Eu show Nico (1987- 1988).

César de Oliveira foi galardoado com a medalha de Mérito Municipal de Lisboa, bem como com o Prémio da Imprensa na categoria Teatro de Revista (1964).

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

#EuropeForCulture