O antigo Largo do Chafariz da Esperança

O Largo da Esperança (cinzento) , a Rua da Esperança (ocre) e a Rua Flor da Murta (amarelo) nas plantas de 1856 de Filipe Folque

O Chafariz da Esperança – do risco de Carlos Mardel – foi construído em 1768 no Largo da Esperança, então situado na Rua da Esperança e relativamente próximo da Rua da Flor da Murta (hoje, Avenida Dom Carlos I). Este antigo largo, hoje desaparecido, deve o seu nome ao quinhentista Convento da Esperança.

O Convento de Nossa Senhora da Piedade da Boa Vista ali fundado em 1524 para acolher senhoras da nobreza acabou por ficar mais conhecido como Convento da Esperança, por ter sede na sua igreja a confraria de pilotos e mestres do mar de Nossa Senhora da Esperança. E foi assim que o topónimo do Convento passou à Rua e ao Largo que existia seguramente em 1553, uma vez que nesse ano o Senado lisboeta recebeu uma petição da abadessa e religiosas do mosteiro da Esperança a  solicitar a posse do Largo da Esperança, alegando ser as proprietárias do Largo « desde a fundação do mosteiro de todo o largo dele, por ser parte de uma quinta chamada de Sizana em que o dito mosteiro está anexo, foreiro à capela de Estêvão da Guarda, situada em São Vicente de Fora» e queixando-se de Francisco Martins que edificara uma cabana no dito largo para venda de fruta e outras coisas comestíveis.

Todavia, o Largo da Esperança foi sendo um ponto de comércio, pelo menos de peixeiras, já que a consulta municipal de julho a agosto de 1771, para a distribuição dos lugares no edifício da nova Ribeira, contemplava a relação dos lugares de peixe do Largo da Esperança, Campo de Santana, Largo do Rato e Rossio, com os nomes das vendedeiras. A planta de Filipe Folque de 1856, mostra o Largo da Esperança junto à Rua Direita da Esperança, antes de esta atingir a Rua da Flor da Murta.

O Largo da Esperança e a Rua Dom Carlos I numa planta municipal de 1896

Já no séc. XIX, em 1875, foi pedido à Câmara a conclusão de passeio no Largo da Esperança.  Ora quatro anos depois, como referiu Elisabete Gama na sua comunicação às 8ªs Jornadas de Toponímia de Lisboa, «A Repartição Técnica municipal chefiada por Frederico Ressano Garcia apresentou, em 1879, a proposta de um eixo viário do Aterro ao Rato, que se dividia em dois lanços, o primeiro do qual vinha prolongar a “rua do Duque da Terceira até ao largo das Cortes” », contexto de onde nascerá a Rua de D. Carlos I (hoje Avenida), atribuída pelo Edital municipal de 28 de dezembro de 1889. A  última freira do Convento da Esperança falecera em agosto de 1888 e conforme a Lei da extinção das ordens religiosas só aí o Estado podia tomar posse de toda a propriedade, que em novembro de 1888 cedeu ao município de Lisboa, para construir uma padaria municipal e abrir o arruamento. Só que em vez de uma padaria foi instalado um serviço de incêndios até 1891, que com algumas estruturas do extinto convento resultou um novo edifício da estação de serviço nº 1 dos bombeiros, pronto no ano de 1900 e conhecido como Caserna da Esperança.

Os arranjos urbanísticos da zona levaram a que o Largo da Esperança passasse a ser um espaço integrado na Avenida Dom Carlos I, mantendo-se o chafariz encostado à Rua da Esperança. Na planta de Júlio Silva Pinto de 1909 já vemos a Rua da Esperança a terminar na Rua de Dom Carlos I e o Chafariz da Esperança a ficar na esquina de ambas as artérias.

Planta de 1909 de Júlio Silva Pinto

#EuropeForCulture

One thought on “O antigo Largo do Chafariz da Esperança

  1. Pingback: O património religioso na toponímia de Lisboa | Toponímia de Lisboa

Os comentários estão fechados.