O Chafariz da Esperança

Situado no Bairro da Madragoa, mais precisamente no Largo da Esperança, é um dos trinta chafarizes ligados ao Aqueduto das Águas Livres, integrando-se na política de abastecimento público de água a Lisboa, delineada desde o reinado de D. João V.

Para a sua edificação o senado da Câmara de Lisboa adquire em 1752 uma porção de terreno pertencente ao convento franciscano de Nossa Senhora da Esperança (atual quartel dos Sapadores Bombeiros na Av. D. Carlos I), resultando num chafariz monumental, cuja galeria de abastecimento (designada da Esperança), vinha diretamente do reservatório das Amoreiras.

Projetado por Carlos Mardel, o arquiteto responsável pelo aqueduto, as suas obras foram concluídas por Miguel Blasco em 1768.

O fontanário encontra-se adossado a um edifício e desenvolve-se numa estrutura pétrea de dois pisos, servida por escadas laterais de notável carácter cénico, bem ao gosto barroco.

A sua estrutura é composta por tanques posicionados nos dois planos, sendo o tanque inferior, ao nível térreo, destinado a bebedouro de animais com três carrancas para saída de água e o superior para abastecimento humano através de três bicas e três tanques.

O conjunto é rematado por pórtico de gosto pombalino, muito semelhante aos remates das fachadas das igrejas construídas no período pós-terramoto, que imprime um cunho de verticalidade ao chafariz, uma vez que prolonga a sua altura para além do objeto utilitário que ele próprio encerra.

Numa cidade em que o abastecimento de água se fazia através apenas da distribuição a partir de pontos públicos, a distribuição da água ao domicílio fazia-se de forma humana e individual. No século XIX surgem as figuras que se tornariam populares na cidade, os aguadeiros, na sua maioria galegos que viram nesta atividade uma oportunidade comercial rentável. Não é raro conhecermos quem ainda se lembre do audível pregão do aguadeiro…um “Auuuuuu…” estridente que ecoava nos bairros da cidade…

É Monumento Nacional desde 1910.

Texto: © CML | DPC | 2018
Fotos: © Sofia Tempero |CML | DPC | 2018

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