Chafariz d’el rei

Fontanário construído no século XIII, nos reinados de D. Afonso II e de D. Dinis, a este monarca se devem algumas alterações e a sua designação até à atualidade. Aproveitando as excelentes águas da encosta de Alfama, é considerado um dos mais antigos chafarizes públicos na cidade de Lisboa.

O chafariz, que originalmente era a principal fonte de água potável da capital, estava encostado à muralha da cidade e tinha seis bicas em forma de cabeças de animais, sendo cada bica exclusiva de um grupo social, não esquecendo os mareantes.

O traçado do chafariz foi-se alterando em função da sua natural degradação e dos danos causado pelo terramoto, pelo que a imagem erudita do chafariz atual ficou definida após obras efetuadas no século XIX, surgindo numa gravura datada de 1861 já com uma segunda platibanda e com a decoração de vasos e pináculos numa composição classicista.

O frontispício apresenta a fachada em dois planos ou corpos; um inferior, onde estão as bicas, e outro superior, mais recuado, sobre o qual corre um estreito terraço. Toda a obra é de cantaria, em painéis; o painel do meio no corpo inferior ostenta as armas do reino, sem a coroa (retirada depois do movimento revolucionário de 1910); e os dois painéis laterais mostram a “caravela do escudo de armas da cidade de Lisboa”.

Nos séculos XIX e até à primeira metade do século XX, o transporte de água para as necessidades domésticas era, para os que podiam pagar, um serviço prestado pelos aguadeiros, geralmente galegos que percorriam as ruas da cidade, barril às costas, formando grupos numerosos à volta deste e dos outros chafarizes, entoando o ainda hoje lembrado pregão “Auuuu…”

Atualmente o chafariz possui apenas três bicas metálicas, deitando para um estreito tanque longitudinal, com guarda de cantaria lisa. O acesso ao tanque faz-se através de alguns degraus situados nos extremos do chafariz. Através de uma porta localizada na Travessa do Chafariz d’El-Rei acede-se a uma galeria articulada com cisterna de planta quadrada, sendo a água conduzida por esta galeria até um reservatório (tanque) adossado ao Palácio das Ratas, no lado posterior do chafariz, sendo escoada até ao espaldar do chafariz e às saídas de água (bicas).

Classificado como Monumento de Interesse Público em 2012, incluindo as estruturas hidráulicas conexas (reservatório, cisterna e mina de água).


Texto: © CML | DPC | 2018
Fotos: © José Vicente |CML | DPC | 2018

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