Da quinhentista Rua do Terreiro Novo à oitocentista Rua da Alfândega

A Rua da Alfândega em data entre 1898 e 1908
(Foto: Machado & Souza, Arquivo Municipal de Lisboa)

A ligar o Campo das Cebolas à Praça do Comércio está a Rua da Alfândega, por obra do Edital do Governo Civil de Lisboa de 1 de setembro de 1859, que juntou num único arruamento as Rua Nova da Alfândega e a Rua da Ribeira Velha, preservando a memória do edifício da Alfândega que ocupava todo o lado sul desta artéria, uma construção pombalina posterior ao terramoto de 1755 que veio substituir a alfândega quinhentista que se situava aproximadamente onde hoje confluem as Ruas do Comércio e da Madalena.

De acordo com o olisipógrafo Luís Pastor de Macedo, este arruamento era em 1552 a Rua do Terreiro Novo referida por João Brandão na sua «Estatística de Lisboa de 1552», passando por volta de 1554 a ser a Rua do Terreiro do Trigo conforme aparece no «Sumário» de Cristóvão de Oliveira e depois, em atenção ao edifício da Misericórdia «que para a rua deixava também cair um dos seus lados» foi sendo sucessivamente a Rua da Misericórdia de Baixo (1688), a Rua Direita da Misericórdia (1720) e a partir de 1755, a Rua da Misericórdia da parte do terreiro e a Rua da Porta do Terreiro.

Aliás, ainda de acordo com o mesmo olisipógrafo, a partir de 1755 a parte oriental da rua era a Ribeira Velha que só em 1836 aparece como Rua da Ribeira Velha, enquanto a parte compreendida entre o Praça do Comércio e a Rua dos Arameiros foi denominada como Rua Direita da Misericórdia (1766), Rua da Misericórdia de Baixo (1780), Rua dos Freires da parte de baixo (1787), Rua da Conceição dos Freires da parte do mar (1799) – estas duas pela ligação à Igreja da Conceição dos Freires –  e Rua Nova da Alfândega (1806).

Freguesia de Santa Maria Maior
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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