A Rua que dá nome ao Elevador de Santa Justa

Freguesia de Santa Maria Maior (Foto: Artur Matos)

Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Artur Matos)

Desde que foi inaugurado em 1902 que o Elevador de Santa Justa tomou o topónimo da artéria que o acolheu: a Rua de Santa Justa. Esta é uma artéria pombalina, saída do primeiro diploma legal de toponímia que existiu em Lisboa, de 5 de novembro de 1760, sendo o seu nome derivado da proximidade à Igreja de Santa Justa.

A Rua de Santa Justa foi um dos 14 topónimos que integrou a Portaria do rei D. José I de 5 de novembro de 1760, diploma que inaugurou em Lisboa a prática de atribuição de nomes de ruas por decreto. Neste se estabeleceu a denominação dos arruamentos localizados da Baixa lisboeta reconstruída, no espaço entre a Praça do Comércio e o Rossio [hoje, Praça Dom Pedro IV], a saber, «Rua Nova d’El Rey [hoje, Rua do Comércio], Rua Augusta, Rua Áurea, Rua Bella da Rainha [hoje, Rua da Prata], Rua Nova da Princesa [hoje, Rua dos Fanqueiros], Rua dos Douradores, Rua dos Correeiros, Rua dos Sapateiros, Rua de S. Julião, Rua da Conceição, Rua de S. Nicolau, Rua da Victoria, Rua da Assumpção e Rua de Santa Justa». Em paralelo, esta Portaria também determinava a distribuição dos ofícios e ramos do comércio por estes arruamentos.

O olisipógrafo Luís Pastor de Macedo sublinha ainda que «os nomes de S. Julião, da Conceição, de S. Nicolau, da Vitória e de Santa Justa, foram dados às ruas que mais perto passavam das igrejas e ermidas que com aquela invocação, segundo o plano estabelecido, se haviam de erguer ou se estavam já construindo.» Ora a Igreja de Santa Justa ficava na esquina da Rua dos Fanqueiros com a Rua de Santa Justa – onde hoje encontramos a Pollux-  e era sede da paróquia de Santa Justa e Rufina, criada por D. Gilberto,  1º bispo de Lisboa, em data anterior a 1173. E se o Terramoto poupou o edifício o subsequente incêndio arruinou-o e em 1834 a sede da freguesia passou para a Igreja de São Domingos.