A Rua do político da Regeneração Rodrigo da Fonseca

Em 1959
(Foto: Amadeu Ferrari, Arquivo Municipal de Lisboa)

Vinte e seis anos  após o seu falecimento foi o político liberal Rodrigo da Fonseca fixado como topónimo na antiga Azinhaga do Vale de Pereiro por Edital camário de  4 de março de 1884, artéria que só ficou completamente concluída no séc. XX, na década de trinta mas que acolheu os edifícios do Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho em 1933 e do Hotel Ritz em 1959.

Esta artéria que hoje se estende da Rua do Salitre à Rua Marquês de Fronteira perpetua Rodrigo da Fonseca Magalhães (Condeixa-a-Nova/24.07.1787-11.05.1858/Lisboa), que ainda estudante em Coimbra se alistou no  Batalhão Académico para combater as invasões francesas de 1807. Dez anos depois, em 1817, sendo tenente e estando implicado na conspiração de Gomes Freire, abandonou o exército e refugiou-se no Brasil onde foi secretário do seu antigo comandante Luís do Rego Barreto e a partir de 1821, da Junta Governativa organizada após a Revolução Liberal do Porto. Ainda nesse ano de 1821, fundou o primeiro jornal político de Pernambuco, o Aurora Pernambucana.

Regressou a Portugal em 1822 com o general Luís do Rego Barreto de quem já era então genro, mas após o triunfo da Vilafrancada foram ambos deportados para a Figueira da Foz. Em 1824, Rodrigo da Fonseca obteve licença para morar em Viana do Castelo mas  em 1828, após se recusar a aderir à causa da monarquia absoluta de D. Miguel teve de se refugiar em Inglaterra, onde em Londres conheceu Pedro de Sousa Holstein, futuro Duque de Palmela, que liderava a emigração constitucional portuguesa, sendo colocado na secretaria da embaixada, responsável por dirigir os jornais liberais Aurora e Paquete de Portugal. 

Voltou de vez ao nosso país após o desembarque de D. Pedro IV no Mindelo. Prosseguiu uma carreira como diretor-geral do Ministério dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça e administrador da Imprensa Nacional. Foi também deputado pelo Minho (1934); fundador com António Pereira dos Reis e redator do Revista; Ministro dos Negócios do Reino do Duque de Saldanha (1835), pasta que repetiu no governo do 1º Conde de Bonfim (1839) e também mais tarde, em 1851-1856, outra vez com o Marechal Saldanha; Ministro dos Negócios Estrangeiros (1841) no governo de Joaquim António de Aguiar; Conselheiro de Estado (1842); e ainda Par do Reino (1847).

Tendo fixado a sua residência em Lisboa na Rua dos Navegantes, onde veio a falecer, Rodrigo da Fonseca foi ainda sócio emérito da Academia Real das Ciências de Lisboa, sócio do Conservatório Real de Lisboa e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil. Recusou títulos nobiliárquicos mas mesmo assim foi galardoado como fidalgo cavaleiro da Casa Real (2 de agosto de 1835), com a grã-cruz da Ordem de Cristo, o grau de cavaleiro da Ordem da Torre e Espada, a Cruz n.º 4 das Campanhas da  Guerra Peninsular e a medalha britânica de 7 ações.

Freguesias de Santo António, Avenidas Novas e Campolide                               (Planta: Sérgio Dias)

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