A Praça da Estrela dos quinhentistas frades do Convento da Estrelinha

A Praça da Estrela e o Hospital Militar (ex-Convento da Estrelinha) em 1911
(Foto: Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

De Tibães vieram os frades que chegaram a Lisboa no séc. XVI e aqui fundaram o seu primeiro mosteiro, o Convento da Estrelinha,  concluído em 1571, no local que hoje designamos como Praça da Estrela.

Esta Praça da Estrela foi fixada pelo Edital municipal de 8 de junho de 1889 na que era até aí a Praça do Convento Novo do Coração de Jesus e assim  o topónimo substituiu a referência ao Convento do Coração de Jesus e à Real Basílica, terminados em 1790, pelo mais antigo Convento de Nossa Senhora da Estrela. No decorrer do século XIX, o Convento do Coração de Jesus e o Convento da Estrelinha vão disputando o topónimo. Duarte Fava, na sua planta de  1807 designava o arruamento como Praça do Convento do Coração de Jesus, tal como fez o Duque de Wellington em 1811.  Já Filipe Folque, em 1856, identificou o arruamento como Praça do Convento Novo e 26 anos passados, em 1882, a planta municipal de Francisco Goulard denominou a artéria como Largo da Estrela e é como Praça da Estrela que vai ficar perpetuada sete anos depois.

O topónimo Estrela ganhou e foi ficando em mais artérias da zona, como na Calçada da Estrela, na Rua da Estrela, na Rua do Jardim à Estrela, assim como na Rua dos Ferreiros à Estrela (Edital do Governo Civil de Lisboa de 01/09/1859), na Rua de Santo António à Estrela (Edital municipal de 14/06/1881), na Rua da Imprensa à Estrela (Edital de 12/02/1883) e na Travessa da Oliveira à Estrela (parecer da Comissão Municipal de Toponímia de 09/06/1952). Acresce ainda aquela que conhecemos como  Rua de João de Deus, desde a publicação do Edital municipal de 24/02/1897, que antes era a Calçada Nova da Estrela e ainda antes era a Calçada Nova do Convento Novo do Coração de Jesus.

Os frades que vieram de Tibães para a Lisboa Quinhentista e aqui dedicaram a igreja do seu convento a Nossa Senhora da Estrela ou da Estrelinha, compraram mais tarde, em 1596, e mais abaixo,  as terras da Quinta da Saúde onde ergueram um convento maior, o de São Bento da Saúde – que hoje é a Assembleia da República – e destinaram o da Estrelinha apenas para o ensino dos noviços. O terramoto de 1755 destruiu parte do Convento da Estrelinha mas, em 1818 já uma parte dele funcionava como secretaria dos Hospitais Militares e com a extinção das ordens religiosas em 1834, o exército alargou a sua ocupação do edifício pelo que em 1837 passou a ser o Hospital Militar.

Freguesia da Estrela
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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