A Rua da Igreja paroquial de São Mamede ao Caldas

A Rua de São Mamede, no cruzamento com a Rua da Saudade, em 1901
(Foto: Machado & Souza, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Rua de São Mamede estende-se desde a Rua da Saudade até ao Largo Adelino Amaro da Costa, o antigo Largo do Caldas, em resultado do Edital de 8 de junho de 1889 que retirou à Rua Nova de São Mamede a palavra «Nova» e deve o seu nome à Paróquia de São Mamede que neste arruamento se situou no período entre 1220 e o Terramoto de 1755.

Se seguirmos o Agiológio Lusitano, a igreja paroquial de São Mamede  aqui se situava pelo menos desde 1220 e Norberto de Araújo avança que é de 1220 uma escritura em que interveio Maria Pires, cunhada de Fernando de Bulhões, depois Santo António de Lisboa e a Igreja de São Mamede é mencionada. O templo localizar-se-ia no largo fronteiro ao Palácio dos Condes de Penafiel.  Ainda de acordo com este olisipógrafo, «(…) cerca deste sitio, que mesmo no século XVIII era silvestre, pouco mais do que campo, com as habitações disseminadas pela encosta. Depois do terramoto este local ficou sendo conhecido por “monturos de S. Mamede”». A igreja ficou  totalmente arruinada na catástrofe e passou então para São Cristóvão; em 1761 foi para a Ermida de São Patrício nas Escadinhas de São Crispim e nove anos depois, em 1770, pela remodelação paroquial, foi a paróquia transferida para o Vale do Pereiro, para a Ermida de Nossa Senhora da Mãe de Deus e dos Homens que passou a ser a sede paroquial que Vieira da Silva localizou na Rua Rodrigo da Fonseca, onde é cortada pelas Ruas Braamcamp e Alexandre Herculano. Depois, em 1782, começou a ser construída a nova Igreja de São Mamede, em terrenos cedidos pelo Colégio dos Nobres, local que hoje denominamos como Largo de São Mamede, mas que só abriu ao culto após o fim das obras, em 1861.

São Mamede terá nascido no séc. III em   Cesareia – hoje,  Kayseri na Turquia -, sob o poder do Império Romano. É  um Santo mártir venerado tanto pela Igreja Católica como pela Igreja Ortodoxa, comemorado a  5 de novembro.

Nesta Rua de São Mamede, encontra-se o Palácio dos Condes de Penafiel e como tal, do último Correio-Mor, já que de de 1606 até 1797 o serviço de correio foi privilégio da família Gomes da Mata, sendo que ao passar o serviço para a Coroa o 8.º e último Correio-Mor, Manuel José da Mata de Sousa Coutinho, recebeu diversas compensações  como o título de Conde de Penafiel.  Também no Arquivo Municipal de Lisboa encontramos uma petição de D. Isabel Cafaro, datada de 1710, tutora de seu filho Luís Vitório de Sousa Coutinho da Mata, Correio-Mor do Reino, para reedificar as casas onde vive situadas em  São Mamede, assim como construir um telheiro e lavrar as pedrarias no largo junto da igreja.

Freguesia de Santa Maria Maior
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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