O Largo do Teatro São Carlos do final do século XVIII

Placa Tipo II - Freguesia de Santa Maria Maior (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Maria Maior – Placa Tipo II 
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Largo de São Carlos  foi um topónimo gerado pela presença no local do Teatro São Carlos, edificado entre 8 de dezembro de 1792 e 30 de junho de 1793 com verbas dos próprios comerciantes da capital,  assim como quase um séculos depois  gerará também a Travessa dos Teatros.

Este foi o primeiro topónimo fixado naturalmente no Largo que em 1913 passou a ser o Largo do Directório, em homenagem ao Diretório do Partido Republicano, mas que em 1956 voltou à designação de Largo de São Carlos, em ambos os casos por decisão camarária.

O Largo de São Carlos setecentista passou a denominar-se Largo do Directório através do Edital municipal de 18 de outubro de 1913  para perpetuar na memória de Lisboa que no nº 4 daquele arruamento existiu a sede do Partido Republicano Português e consequentemente, do seu Diretório. Por esse mesmo Edital, assinado pelo então Presidente da CML General Correia Barreto, mais quatro topónimos foram modificados: o Largo do Espírito Santo tornou-se o Largo Ernesto da Silva, o Largo de São Roque ficou Largo Trindade Coelho, o Largo de Santa Bárbara denominou-se Largo 28 de Janeiro e a Rua de São José passou a ser a Rua Alves Correia.

Quarenta e três anos mais tarde, pelo Edital municipal de 28 de maio de 1956, na data precisa do 30º aniversário do golpe militar que implantaria o Estado Novo em Portugal, a edilidade lisboeta muda o topónimo Largo do Directório para o voltar a denominar como Largo de São Carlos, para além de trazer de volta mais 3 denominações antigas para substituir as dadas após a proclamação da República, a saber: a Rua Alves Correia voltou a ser a Rua de São José; a Rua Eugénio dos Santos retorna a Rua das Portas de Santo Antão ao mesmo tempo que  a Rua Eugénio dos Santos é atribuída num novo arruamento junto ao Parque Eduardo VII; e a Rua da Luta retoma o topónimo Duque de Bragança, embora no plural como Rua dos Duques de Bragança.

Neste Largo, cujas alterações toponímicas ao longo do século XX é exemplo de como a toponímia é também um veículo de divulgação política, nasceu e viveu no 4.º andar Esqº do mesmo nº 4 da sede do Partido Republicano, Fernando Pessoa.

Freguesia de Santa Maria Maior (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Sérgio Dias)