O Largo do sítio de São Domingos do séc. XIII

Largo de São Domingos na segunda década do séc. XX
(Foto: Alberto Carlos Lima, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Largo de São Domingos retira o seu nome do Convento de S. Domingos, erguido neste sítio no séc. XIII e que a partir dessa data  serviu como referência toponímica a toda a zona em seu redor.

Hoje, o Largo de São Domingos define-se na confluência da Rua Dom Antão de AlmadaRua de Barros Queirós, Praça D. Pedro IV e Rua das Portas de Santo Antão, onde se apresenta a Igreja de São Domingos.

A 1ª pedra do Convento da Ordem dos Dominicanos ou Ordem dos Pregadores aqui erguido foi benzida em 1242, no tempo de D. Sancho II, mas só ficou concluído em 1259, já no reinado de Afonso III. Mais tarde será fundado o Convento de S. Domingos de Benfica, em 1399, através de Frei Vicente de Lisboa, o confessor do rei D. João I. O templo da baixa lisboeta foi reedificado em 1536 por via do terramoto de 1531, assim como em 1608 e também após o terramoto de 1755, com um novo traçado de Carlos Mardel e fachada de João Frederico Ludovice. Em 1959, a igreja sofreu violento incêndio e só voltou a abrir ao público em 1994.

Este Largo de São Domingos tem ainda outras memórias da cidade de Lisboa e da história do país de que destacamos três, por ordem cronológica. Da Igreja de São Domingos partiu o Massacre de Lisboa de 1506 (ou Matança da Páscoa de 1506), em que  instigada por dominicanos a população perseguiu e matou centenas de judeus. A assinalar esta data trágica a CML inaugurou em abril de 2008, no centro do Largo,  um Memorial às Vítimas do Massacre Judaico de 1506, tal como um mural onde em  34 línguas está escrito Lisboa Cidade da Tolerância.  Também para a eclosão do 1º de Dezembro de 1640 se fizeram reuniões no edifício que conhecemos como Palácio da Independência, então pertença de D. Antão de Almada, que era dos 40 conjurados. E a partir de 1840, abriu neste Largo de São Domingos a taberna de um galego de apelido Espinheira, que foi a primeira a vender ginjinha, para além da loja ainda hoje ostentar no exterior rimas da autoria do jornalista Esculápio.

Freguesia de Santa Maria Maior
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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