A Rua do arquiteto do Edifício Castil, Conceição Silva

Edifício Castil de Conceição e Silva
(Foto: Artur Pastor, anos 80 do séc. XX, Arquivo Municipal de Lisboa)

Francisco da Conceição e Silva, o arquiteto do Edifício Castil, na Rua Castilho, dá nome a uma rua do Lumiar – antes identificada como Impasse A2 de Telheiras Norte III – desde a publicação do Edital municipal de 1 de agosto de 2005, paralela à Rua Francisco George que ali estava desde o Edital municipal de 24 de setembro de 1996.

Francisco da Conceição e Silva (Lisboa/1922-23.01.1982/Rio de Janeiro – Brasil) foi um arquiteto que contribuiu para a construção da sua cidade natal com criatividade, sendo neste particular de destacar o seu Edifício Castil,  o primeiro grande centro comercial da cidade, com 15 pisos – 8 de escritórios e 3 de comércio – e estacionamento subterrâneo, traçado no início dos anos 70, com linhas de modernismo tardio e influências da estética pós-modernista internacional, tendo sido classificado como Monumentos de Interesse Público em 2011.

Conceição e Silva começou por trabalhar no atelier do Arqº Adelino Nunes  em 1942 e quatro anos depois estava licenciado em Arquitetura pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa. A partir de 1949, enquanto arquiteto dos Serviços Médico-Sociais da Federação das Caixas de Previdência traçou  diversos Postos Clínicos e fez sociedade com o Arqº  José Bastos, tendo como principal linha a habitação unifamiliar para a classe média/alta de que é exemplo a moradia na Avenida das Descobertas nº 8, de 1952. Depois, em 1953,  abriu atelier próprio na Rua Nova da Trindade e pressionado pela escassez de encomendas, dedicou-se ao desenho de mobiliário tendo mesmo feito uma exposição conjunta com os escultores e pintores Jorge Vieira, Júlio Pomar, Querubim Lapa e Sá Nogueira, entre outros, o que na época deu escândalo. Em 1957, com os arquitectos Sena da Silva e José Daniel Santa Rita, venceu o concurso para o Pavilhão de Portugal na Feira Internacional de Lausana que contou com painéis cerâmicos de Querubim Lapa.

Em Lisboa são obra sua o edifício de escritórios do nº 17 da Rua Doutor António Cândido, de 1960, tendo no ano seguinte traçado a Loja Can Can na Praça Dom Pedro IV  e a Papelaria Progresso no nºs 151 a 155 da Rua Áurea. Em 1967, o Atelier Conceição Silva  era já o maior atelier português,  com departamentos de arquitetura, equipamento, design, planeamento urbano, paisagismo, fotografia, artes plásticas e gráficas. Trabalharam nele ou com ele, Maurício de Vasconcelos, seu sócio de 1965 a 1967; os arquitetos Arsénio Cordeiro, Bartolomeu Costa Cabral, José Daniel Santa Rita, José Forjaz, Manuel Vicente, Pedro Vieira de Almeida, Sena da Silva e Tomás Taveira; os paisagistas Álvaro Ponce Dentinho e Gonçalo Ribeiro Telles; o designer Eduardo Afonso Dias, bem como os escultores e pintores Alice Jorge, Almada  Negreiros, Estrela Faria,  Fernando Conduto, João Cutileiro, Jorge Vieira, Júlio Pomar,  Manuel Cargaleiro, Querubim Lapa, Sá Nogueira; os geógrafos Jorge Gaspar e Teresa Craveiro, a historiadora Raquel Henriques da Silva e até o escritor Herberto Hélder.

Ainda para Lisboa,  encontramos no Arquivo Municipal um contrato do Município com Francisco da Conceição Silva, de  19 de fevereiro de 1971, para a elaboração do Plano de pormenor da zona do Largo do Rilvas. Fora da capital destaque-se a sua autoria no Hotel Serra da Estrela; no Hotel do Mar e o  Bloco Apartamentos Porto de Abrigo, em Sesimbra; no Plano turístico da Península de Tróia; nos Plano de urbanização de Évora, Loures e Portimão; e no Hotel da Balaia, no Algarve.

Conceição e Silva foi ainda membro da Direção da Sociedade Nacional de Belas Artes-SNBA, eleito em 1957, qualidade na qual organizou um programa pedagógico, o Curso de Formação Artística, com vista a modificar o ensino académico tradicionalmente ministrado.

Apesar de conotado com a oposição ao Estado Novo, sofreu um atentado à porta da sua casa, no Dafundo, em janeiro de 1975, por motivos nunca esclarecidos mas talvez pela organização de tipo empresarial do seu atelier, o maior do país, ou por ser acionista da Torralta. Francisco da Conceição Silva exilou-se então no Brasil, onde chegou  em 15 de março de 1975 e se instalou no Rio de Janeiro. De 1975 a 1982, em associação com o Arqº Pinto da Cunha, organizou um atelier no Rio de Janeiro, com vasta produção em edifícios e conjuntos arquitetónicos que vão desde a vasta moradia unifamiliar, ao pequeno bairro, abarcando também a conceção de interiores. Conceição Silva viveu os seus últimos 7 anos de vida no Rio, tendo falecido vítima ataque cardíaco, pouco antes de chegar a completar  60 anos de idade.

No concelho de Sesimbra, está também perpetuado na Rua Francisco Conceição Silva.

Freguesia de Lumiar (Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

8 thoughts on “A Rua do arquiteto do Edifício Castil, Conceição Silva

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  3. Caro João Pedro Conceição Silva,
    Obrigada por entender que este texto está relacionado com a atribuição da Rua Francisco Conceição Silva e também pelo acréscimo de informação sobre a atribuição do topónimo em Sesimbra que poderemos acrescentar ao nosso artigo.

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  4. Caro José Luiz de M. Pinto da Cunha,
    lamentamos a falha no nosso artigo sobre o que passou no Brasil, mas com a sua contribuição vamos poder corrigi-lo para corresponder à verdade do que se passou.

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  5. Luís.
    No catalogo da exposição sobre o Arq Conceição Silva, meu pai, que eu e o meu irmão organizámos na Sociedade Nacional de Belas Artes em Lisboa, na Biografia consta o seguinte:
    “ 1975 / 82 – Organiza um atelier no Rio de Janeiro, em associação com o Arquiteto Pinto da Cunha, onde tem uma vasta produção que se traduz na construção de múltiplos edifícios e conjuntos arquitetónicos que vão desde a vasta moradia unifamiliar, ao pequeno bairro, abarcando também a conceção de interiores, continuando assim a linha de atuação iniciada muito cedo em Lisboa.”

    Quanto ao artigo agora publicado, cujo texto supostamente terá sido escrito por alguém relacionado com a Câmara de Lisboa, refere-se explicitamente à atribuição de uma Rua Francisco Conceição Silva.
    Por essa razão é destacado o Edifício Castil, em Lisboa, o que me dá especial prazer já que foi um dos vários projetos do Arqtº Conceição Silva, de que um “artista da nossa praça” , e após o falecimento de Conceição Silva, tentou apropriar-se como autor e perdeu no tribunal em todas as instâncias.
    Entretanto, recentemente foi também atribuída uma nova Rua Francisco Conceição Silva em Sesimbra, a antiga Rua Palames.
    Abraço.
    João Pedro

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  6. O Arquitecto Conceição Silva no Brasil era socio do Arquitecto jose Augusto Pinto da Cunha.
    Os projectos mencionados foram elaborados pelos dois.
    Assim como todos os projectos feitos no escritorio dos 2 Arquitectos.

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