A Rua do arquiteto dos Paços do Concelho de 1866, Domingos Parente

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Domingos Parente, o arquiteto lisboeta dos Paços do Concelho de 1866, está desde 1978 perpetuado num arruamento da Marvila dos arquitetos, a unir a Rua Luís Cristino da Silva à Rua José Luís Monteiro, estando este último arquiteto também ligado aos Paços do Concelho por ter substituído o primeiro nos dois últimos anos da obra.

Este Bairro dos Arquitetos em Marvila nasceu de uma sugestão da Comissão Municipal de Toponímia, concretizada através da publicação do Edital municipal de 10 de agosto de 1978, que colocou doze arquitetos na toponímia da Zona N2 de Chelas:  Adães Bermudes (antiga rua 14), Adelino Nunes (ruas 2 e 3), Álvaro Machado (arruamento de ligação entre a via envolvente e a rua 6), Cassiano Branco (ruas 4 e 5), José Luís Monteiro (ruas 11B e 12), Keil do Amaral (ruas 1, 6 e 7), Luís Cristino da Silva (via comercial), Miguel Nogueira Júnior (rua 11), Norte Júnior (ruas 8 e 11A), Pardal Monteiro (via envolvente), Pedro José Pezerat (rua 10) e Domingos Parente (rua 13).

Domingos Parente da Silva (Lisboa/04.04.1836 – 17.11.1901/Lisboa ) foi o arquiteto que projetou os Paços do Concelho de Lisboa que começaram a ser construídos em 1866. Um incêndio em 19 de novembro de 1863 destruiu quase por completo os anteriores Paços do Concelho pombalinos, do risco de Eugénio dos Santos. No mesmo local começou a ser construído o novo edifício de Pedro José Pezerat mas, a partir de 1866 e até 1875, vingou antes o traçado por Domingos Parente. O remate final da fachada foi modificado por decisão do Engº Ressano Garcia e então responsável pelos Serviços Técnicos da Câmara, ficando antes um frontão clássico com decoração escultórica do francês Anatole Calmels. Em 1876 Domingos Parente pediu a sua exoneração e por concurso foi substituído  por José Luís Monteiro a partir de 1878 e até a conclusão da obra em 1880. Foi este edifício que, com ligeiras modificações, sofreu o incêndio de 7 de novembro de 1996 e após o sinistro teve uma recuperação dirigida pelos arquitetos Francisco da Silva Dias, Daciano da Costa, João de Almeida, Manuel Tainha e Nuno Teotónio Pereira.

Domingos Parente trabalhou em Pintura e Arquitetura mas acabou por fixar-se nesta última área. Pintou tetos na Sé de Lisboa e trabalhou como desenhador na Companhia Real dos Caminhos-de-Ferro, para depois ingressar na Câmara Municipal de Lisboa como arquiteto em 1866, onde se tornou chefe da 1ª secção a partir de  24 de agosto de 1874 e dois anos pediu exoneração. De seguida, de 1888 a 1894, trabalhou na Direção do Distrito de Lisboa do Ministério das Obras Públicas.

São obra sua na cidade de Lisboa, entre outros exemplos, o pórtico de entrada do Cemitério dos Prazeres, a construção dos arruamentos entre a Alfândega municipal e o Tejo (em 1867); a proposta de 1879 para a construção da artéria entre a Estrada da Tapada (hoje, Calçada da Tapada) e a Rua Direita do Calvário (hoje, Rua Primeiro de Maio), em frente das oficinas da Companhia dos Caminhos de Ferro Americanos, ou seja, a Rua Luís de Camões ; o plano de trabalhos para abertura da Avenida da Liberdade (1879) o Mercado Geral de Gado em Entrecampos; as remodelações nos Palácios da Ajuda e das Necessidades, no Mosteiro dos Jerónimos para acolher a Casa Pia, no Tribunal de Contas e no Farol do Cabo da Roca; o traçado original do edifício da Imprensa Nacional (1895) no nº 135 da Rua da Escola Politécnica.

Domingos Parente foi um dos fundadores da Sociedade de Arquitetos Portugueses e académico de mérito da Academia Real de Belas Artes (1869). O seu Mausoléu no Cemitério da Ajuda foi traçado por Álvaro Machado e resultou de uma subscrição de amigos.

Na sua vida pessoal, Domingos Parente da Silva nasceu filho de José Parente da Silva e Inácia Batista. Casou com Carlota da Silva Gil, com quem teve 3 filhos, sendo que documentos municipais registam que o seu filho Francisco Carlos Parente, aos 12 anos,  realizou o exame final das disciplinas do curso elementar de instrução primária e foi aprovado com distinção com 15 valores, em 25 de maio de 1885. Viveu e faleceu em Belém, no Bairro de Alcolena.

Freguesia de Marvila
(Foto: Google Maps, editada pelo NT do DPC))

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