A Praça do 1º arquiteto urbanista: Faria da Costa

Freguesia dos Olivais
(Foto: Google Maps, editada pelo NT do DPC)

João Guilherme Faria da Costa, o primeiro arquiteto urbanista português e o autor dos Bairros do Restelo e de Alvalade, está homenageado numa Praça  dos Olivais desde 1971, o próprio ano do seu falecimento.

Cerca de dois meses após a sua morte, o Edital municipal de 15 de março de 1971 colocou este  arquiteto como o topónimo do arruamento identificado como Impasse A 3.1 da Quinta do Morgado,  com a legenda «Arquitecto/1906 – 1971».  O mesmo Edital atribuiu também denominações aos restantes arruamentos da Quinta do Morgado, incluindo outro arquiteto construtor da cidade de Lisboa, Carlos Ramos, também numa Praça  (Impasse A2.1.2 da Quinta do Morgado).

João Guilherme Faria da Costa (Sintra/16.04.1906 – 19.01.1971/Lisboa) foi o primeiro arquiteto urbanista português, diplomado pelo Instituto de Urbanismo da Universidade de Paris, em 1935, após ter concluído o curso de Arquitetura da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa (ESBAL) em 1934.

Logo em 1934, colaborou com Pardal Monteiro, António Martins, Fernando Batalha e Rodrigues Lima no traçado da Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, nas Avenidas Novas. Em Paris, trabalhou com os mestres urbanistas Alfred Agache e Étienne de Groër, sendo por isso o responsável por a Câmara Municipal de Lisboa ter convidado Groër para a elaboração do Plano Geral de Urbanização e Expansão da Cidade de Lisboa (1938-1948) mas de 1937 a 1959, Faria da Costa também colabora assiduamente com a Direção-Geral dos Serviços de Urbanização do Ministério das Obras Públicas.

Foi em 1938 que ingressou nos serviços técnicos da CML, como arquiteto-urbanista, tendo trabalhado com os arquitetos Keil do Amaral, Perez Fernandez e Miguel Jacobetty Rosa. Faria da Costa criou um gabinete para estudos de urbanização e foi responsável na cidade de Lisboa  por gizar o Bairro do Areeiro (1938), o Bairro do Restelo ou da Encosta da Ajuda (1938-1940 e 1947-1953 ),  o estudo para  o Martim Moniz (1943),  bem como o Plano de Urbanização do Bairro de Alvalade ou da da Zona a Sul da Avenida Alferes Malheiro (1945-1947) mais o Mercado de Alvalade (1948) e o plano de urbanismo da Estrada de Benfica (1951).

Moradia da Avenida do Restelo que foi Prémio Valmor e Municipal de Arquitectura em 1952
(Foto: Arquivo Municipal de Lisboa)

São também da sua autoria os edifícios no números 6 a 14 da Rua dos Jerónimos (1944), o Bairro das Casas Económicas do Vale Escuro  ou Bairro da Companhia Lisbonense dos Chauffeurs (1947), a  Barbearia da Rua do Comércio n.º 6 (1950-1951), o edifício-sede da firma de construção civil Carlos Eduardo Rodrigues junto à Travessa da Praia (1950-1952), a moradia nos nº 23 e 23-A da Avenida do Restelo, em conjunto com Fernando Silva, obra galardoada com o Prémio Valmor e Municipal de Arquitectura em 1952 bem como a do nº 8 (1953), a do nº 40 (1953-1954), a dos lotes n.ºs 31 e 32 (1953-1956). Faria da Costa traçou ainda prédios na Rua de Campolide n.º 305, no Alto do Carvalhão nº 5, junto ao n.º 19 da Rua D. João de Castro, o conjunto da Rua Teresa Gomes nºs 3 a 13, os nºs 20 e 22 da Rua Dom Dinis, moradia na Alameda das Linhas de Torres n.º 235, edifício do nº 15 da Rua do Arco do Chafariz das Terras, dos n.ºs 4 a 14 da Rua dos Lusíadas, cinco moradias na Rua São João de Brito, n.º 45 da Avenida Almirante Reis, nº 106 da Rua Bartolomeu Dias e nº 62 da Avenida Duque d’ Ávila com Joaquim Ferreira.

Para o Ministério das Obras Públicas e outros, destaque-se o seu trabalho como autor do  Plano da Faixa Marginal do Tejo, Moscavide a Vila Franca de Xira/Seixal ao Montijo (1938); caserna e refeitório da Base Aérea do Montijo (1939-1953); Plano de Urbanização de Alcobaça (1938), Portalegre (1939-1942), Amadora (1944-1947); acesso ao Estádio do Jamor na Estrada Marginal Lisboa/Cascais (1940);  Paços do Concelho de Sintra (1943-1944); o Cinema Carlos Alberto na Portela de Sintra (1944-1948), o Teatro-Cine Luísa Todi de Setúbal (1945); o Bairro dos Pescadores da Costa da Caparica (1946); o Plano de Urbanização da Chamusca (1945 e 1947), Coruche (1950), da Costa da Caparica (1953), do Funchal (1958-1959) com Jacobetty Rosa e ainda, da Figueira da Foz, Funchal, Pombal, Rio Maior e Luanda (todos em 1959).

De 1959 a 1971 partilhou atelier com David Lopes e Jorge Costa Maia, sendo em 1971 aí substituído pelo seu filho José João Faria da Costa. Francisco Guilherme Faria da Costa é o nome do outro filho que teve com Cristina Maria da Silva Faria da Costa com quem casou.

Na localidade de Azenhas do Mar, em Sintra, está também homenageado através da Rua Faria da Costa.

Freguesia dos Olivais
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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