A Rua do arquiteto da Praça do Areeiro, Cristino da Silva

Freguesia de Marvila
(Foto: Google Maps, editada pelo NT do DPC)

Cristino da Silva, o arquiteto que traçou a Praça do Areeiro  e assim foi um impulsionadores das linhas da arquitetura do Estado Novo em Lisboa, está desde 1978 homenageado no Bairro dos Arquitetos de Marvila, numa artéria que começa e acaba na Rua Pardal Monteiro.

Foi pelo Edital de 10 de agosto de 1978 que foi atribuída a Rua Luís Cristino da Silva, na Via Comercial da Zona N 2 de Chelas. O arquiteto Silva Dias integrava então a Comissão Municipal de Toponímia e dele saíram as sugestões que além de Cristino da Silva colocaram nesta zona de Marvila mais 11 topónimos referentes a arquitetos, a saber: Rua Adães Bermudes, Rua Adelino Nunes, Rua Álvaro Machado, Rua Cassiano Branco, Rua Domingos Parente, Rua José Luís Monteiro, Rua Keil do Amaral, Rua Miguel Nogueira Júnior, Rua Norte Júnior, Rua Pardal Monteiro e Rua Pedro José Pezerat.

A Ilustração Portuguesa, 26 de janeiro de 1924

Luís Ribeiro Carvalhosa Cristino da Silva (Lisboa/21.05.1896 – 31.10.1976/Lisboa) foi um arquiteto formado pela ESBAL em 1919 e estágio com bolsa de estudo em Paris (de 1920 a 1925), funcionário da edilidade lisboeta (a partir de 1927) e professor de Arquitetura da ESBAL (1933 – 1966), neto e filho de pintores, respetivamente, João Cristino da Silva e João Ribeiro Cristino da Silva.

Cristino da Silva começou como arquiteto modernista, com o pórtico de entrada do Parque Mayer e o Cineteatro Capitólio (1931) e a elegante dupla escadaria que liga os dois planos de jardins do Palácio de São Bento (1937-1938). Depois, seguiu os modelos da arquitetura do Estado Novo, ao traçar o Pavilhão de Honra e de Lisboa da Exposição do Mundo Português (1940), e  o prédio do nº 12 da Avenida Sidónio Pais, com um baixo-relevo de uma «entalada», processo que teve o seu auge quando é o autor do projeto da então novel Praça do Areeiro (1938 – 1949).  Foi ainda  o autor do traçado do Café Portugal, com portas para a Rua Primeiro de Dezembro e a Praça Dom Pedro IV, bem como da Agência do Diário de Notícias nessa mesma Praça, tudo em 1938; de uma moradia no nº 20 da Avenida António José de Almeida, também na década de trinta.

Fora de Lisboa, saliente-se o seu Liceu de Beja (1929-1934) e a Cidade Universitária de Coimbra (1948) de que foi o arquiteto-chefe. Cristino da Silva desempenhou ainda funções de Vogal do Conselho Superior de Obras Públicas, no período de 1942 a 1954.

Este arquiteto foi galardoado com a Medalha de Honra da Sociedade Nacional de Belas Artes – SNBA (1943), os Prémios Valmor e Municipal de Arquitetura de Lisboa (1944) por uma moradia na Avenida Pedro Álvares Cabral n.º 67 – que era aliás a sua casa de família-, o Prémio Nacional de Arte do Secretariado Nacional de Informação-SNI de 1961, assim como recebeu em 1973 o Prémio José de Figueiredo pelo seu estudo A Sede da Academia Nacional de Belas-Artes.  Cristino da Silva foi ainda agraciado com as Comendas da Ordem Militar de Santiago da Espada (1941), da Ordem da Instrução Pública (1957) e da Ordem do Infante D. Henrique (1961).

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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