Mateus Vicente que traçou a Basílica da Estrela numa Rua de São Domingos de Benfica

A Rua Mateus Vicente na Freguesia de São Domingos de Benfica e a assinatura do arqº Mateus Vicente de Oliveira
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Mateus Vicente, o «Arquiteto das Reais Obras» e nessa qualidade autor do primeiro traçado da Basílica da Estrela, a sua obra de maior relevo, é o topónimo da Via envolvente e Impasse 5 da Urbanização do Bairro D. Leonor desde a publicação do Edital municipal de 14 de maio de 1979, quase 200 anos após a sua morte.

A Rua Mateus Vicente, com a legenda «Arquitecto/1706 – 1785», homenageia Mateus Vicente de Oliveira (Barcarena/1706 – 1785/Lisboa) – que era como assinava -, que foi  Arquiteto do Senado da Câmara de Lisboa de 1760 a 1785 e que por ser também o  «Architeto das Reaes Obras», foi o principal responsável pela arquitetura e execução dos edifícios monumentais do Portugal do século XVIII, tendo trabalhado ao longo de cinquenta anos em obras de construção de palácios e igrejas do país, ao serviço dos reis D. João V, D. José I e D. Maria I, produzindo obras em estilo barroco e em rococó.

Filho de Domingos João e Mariana de Oliveira da Purificação, nasceu e cresceu em Barcarena e começou em 1737 como canteiro na construção do Palácio e Convento Nacional de Mafra, tornando-se assim o principal discípulo de João Frederico Ludovice na Escola do Risco de Mafra. Aí conheceu também o arquiteto Manuel da Costa Negreiros que o introduziu ao serviço da Casa do Infantado, pelo que o infante D. Pedro o encarregou de construir o palácio de Queluz,  a sua primeira grande obra iniciada em 1747: uma residência real de verão, em estilo rococó e neoclássico, na qual trabalhou até ao ano da sua morte.

De seguida, Mateus Vicente de Oliveira colaborou nas obras da Igreja de Santo Estêvão, em Alfama (1749-1752); foi requisitado pelo Marquês de Pombal para a reconstrução de Lisboa, após o terramoto de 1755,  sendo sua, nomeadamente, a recuperação da Igreja de Santo António da Sé, a partir de 1767, sensivelmente no mesmo local do templo primitivo destruído pelo terramoto. A partir de 1760, conduziu as obras da construção da Igreja da Memória, concebida pelo italiano Giovanni Carlo Bibienna, a quem também substituiu como arquiteto após a sua morte embora mantendo as características essenciais desse templo.

A Basílica da Estrela em data entre o final do séc. XIX e inicio do séc. XX
(Foto: Arquivo Municipal de Lisboa)

A sua última obra em Lisboa, por solicitação da Rainha D. Maria I, data de 1779 e foi quando executou a traça da Basílica e do Real Convento da Estrela que por morte do primeiro teve de ser acabada pelo Arqº Reinaldo Manuel dos Santos,  tendo este último acrescentado detalhes clássicos no exterior da mesma. A igreja inicialmente sóbria de Mateus Vicente, seguindo o estilo do arquiteto italiano Francesco Borromini (1599 — 1667),  ficou concluída como um edifício mais elaborado e ornamentado, no estilo do Barroco tardio e já com inclusão de elementos neoclássicos.

O arquiteto Mateus Vicente especializou-se no traçado de igrejas, conventos, palácios e jardins, tendo trabalhado fora de Lisboa em Coimbra, Vila Viçosa ou Caldas da Rainha, mas demonstrando também uma enorme versatilidade profissional elaborou ainda a reconstrução do Moinho de Maré de Corroios, da Fábrica de Biscoito de Coina e do Lazareto da Trafaria.

Mateus Vicente faleceu no Palácio da Bemposta, na época conhecido como Paço da Rainha da Grã-Bretanha, como consta no seu registo de óbito na paróquia dos Anjos. Teve sete filhos de  Maria Micaela de Jesus do Amaral, com quem foi casado em 1753.

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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