A Rua do arquiteto dos 5 Prémios Valmor e 2 Menções Honrosas, Norte Júnior

Freguesia de Marvila
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Norte Júnior, o arquiteto  mais vezes agraciado com o Prémio Valmor, está homenageado desde 1979 no primeiro núcleo toponímico de arquitetos em Lisboa, na freguesia de Marvila.

Manuel Joaquim Norte Júnior ficou no arruamento formado pelas Ruas 8 e 11 A da Zona N 2 de Chelas, com o topónimo Rua Norte Júnior e a legenda «Arquitecto 1878 – 1962». Tudo isto foi possível através da publicação do Edital municipal de 10 de agosto de 1978 que criou o primeiro Bairro dos Arquitetos na toponímia de Lisboa, com mais os seguintes dez topónimos: Rua Adães Bermudes, Rua Adelino Nunes, Rua Álvaro MachadoRua Cassiano BrancoRua Domingos ParenteRua José Luís Monteiro, Rua Luís Cristino da SilvaRua Miguel Nogueira JúniorRua Pardal Monteiro e Rua Pedro José Pezerat.

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Manuel Joaquim Norte  Júnior ( Lisboa/24.12.1878 -11.12.1962/Sintra ), foi um  arquitecto que depois de ter estudado Arquitetura em Lisboa e em Paris, conhecimento a que acrescentou viagens de estudo por Espanha, França e Bélgica, conseguiu imprimir na Lisboa de 1900 a 1930 novas tendências arquitetónicas através das suas criações a ponto de ter recebido cinco vezes o Prémio Valmor e mais duas Menções Honrosas do mesmo galardão, o que o torna o arquiteto mais agraciado com tal prémio, já que possui mais uma Menção do que Pardal Monteiro.

Norte Júnior pode também ser considerado o arquiteto das Avenidas Novas pelo número de obras que realizou nesta zona da cidade, que era a que estava a ser urbanizada no seu período de trabalho mais produtivo. Aqui e na Avenida da Liberdade traçou as seguintes obras:

  • 1905 – Casa Atelier de José Malhoa – Prémio Valmor 1905 – na Avenida Cinco de Outubro, 6 – Classificada como Imóvel de Interesse Público – hoje é a Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves;
  • 1908 – Residência da Avenida da República, 36  ou Avenida de Berna, 1 – Menção Honrosa do Prémio Valmor 1908 propriedade de Henrique Pereira Barreiros que foi demolido em 1949 e 1950, dando lugar a um prédio de habitação com 8 andares e lojas no piso térreo;
  • 1910 – Residência da Praça Duque de Saldanha, 12 –Menção Honrosa do Prémio Valmor 1912- Classificada como Imóvel de Interesse Público –  moradia de Nuno Pereira de Oliveira;
  • 1911 – Prédio da Avenida Fontes Pereira de Melo, 28 –  Prémio Valmor 1914 – residência de José Maria Marques – Classificada como Imóvel de Interesse Público – desde os anos 80 do séc. XX é a sede do Metropolitano de Lisboa;
  • 1912/1915 – Prédios geminados da Avenida da Liberdade, 206 e Rua Rodrigues Sampaio, 27 – Prémio Valmor 1915 – Classificação camarária;
  • 1920 – Prédios da Avenida Duque d’Ávila, 28 e 30;
  • 1921- Prédio da Rua Braamcamp, 40;
  • 1924 – Hotel Liz -na Avenida da Liberdade,180- construído de 1924 a 1927- Prémio Valmor 1927 – alterações nos anos trinta do séc. XX com a introdução de mais dois andares – hoje existe a fachada, integrada no Hotel NH Liberdade;
  • 1929 – Prédio da Avenida da República, 55.

Em outras zonas de Lisboa, Norte Júnior esteve também presente com uma arquitetura emblemática e distintiva, de que realçamos os seguintes traçados:

  • 1907 – Bairro Estrela de Ouro – Conjunto de Interesse Público – inclui hoje um Aparthotel na Rua Rosalina, 14 ; e a Vivenda Rosalina para residência do proprietário do Bairro: Agapito Serra Fernandes – remodelada de 1917 a 1921 com formas semelhantes à  fachada lateral dos Armazéns Abel Pereira da Fonseca;
  • 1912 – Palacete da Alameda das Linhas de Torres, 22 – Prémio Valmor  1912 – conhecida como Vila Sousa por ter sido residência de José Carreira de Sousa;
  • 1913 – Sede da Voz do Operário – Rua da Infância (1880)/Rua da Voz do Operário (1915) –  construída pela maior Associação Operária de Socorros Mútuos da época em Portugal, com  o próprio Presidente da República, Manuel de Arriaga, a presidir à cerimónia de lançamento da primeira pedra em 1912 e inaugurada em 1923;
  • 1917 – Instalações e armazéns de Abel Pereira da Fonseca na Praça David Leandro da Silva, 4;
  • 1922 – Café «A Brasileira» na Rua Garrett;
  • 1928 – Escola Industrial António Manuel Gonçalves (depois Escola de Artes Decorativas António Arroio) – Rua Almirante Barroso, 25;
  • 1929 – Café «Nicola» na Praça Dom Pedro IV – em equipa com o Arqº Raul Tojal;
  • 1929 – Royal Cine – de Agapito Serra Fernandes – na Rua da Graça, próximo do Bairro Estrela de Ouro e com a mesma simbologia  – cinema onde foi exibido o primeiro filme sonoro em Portugal – hoje é um supermercado;
  • 1929 – antigo Cinema Max, um cinema de bairro na Rua Barão de Sabrosa – hoje e desde 1968 é a Igreja da Paróquia de São João Evangelista;
  • 1931 – Antigo Instituto do Trigo e Cereais na Avenida 24 de Julho, 70.

Norte Júnior residiu e teve o seu atelier em Lisboa na Praça Ilha do Faial.

A Casa-Atelier de José Malhoa na Ilustração Portuguesa, 27 de fevereiro de 1905

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