A Rua José da Silva Pais, Codiretor da Obra do Aqueduto de 1732 a 1733

Freguesia de Campolide
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

José da Silva Pais dá nome a uma Rua de Campolide,  colocando a memória deste arquiteto do Aqueduto das Águas Livres nas proximidades da estrutura que ajudou a construir, já que sucedeu a Manuel da da Maia na direção da execução da obra.

A Rua José da Silva Pais,  que liga a Rua dos Arcos [do Aqueduto] à Rua de São Vicente de Paulo, foi atribuída pelo Edital municipal de 28 de dezembro de 1989, à Rua 5 do Bairro do Alto da Serafina, com a legenda «Mestre do Aqueduto – Século XVIII» e foi dos poucos topónimos desse último Edital de 1989 que não sofreu contestação local dos residentes do Bairro. Assim, o Edital municipal de 14 de dezembro de 1990 que veio recolocar toponímia acordada com a os moradores e a Junta de Freguesia confirmou este topónimo e alterou apenas a sua legenda para «Co-Director da Obra do Aqueduto de 1732 a 1733». O mesmo Edital de 1990 incluiu nos topónimos do Bairro, os nomes de outros arquitetos ligados à execução do Aqueduto, como Honorato José Correia, Miguel Ângelo Blasco Reinaldo Manuel dos Santos  e, alterou também a legenda da Rua Rodrigo Franco para «Arquitecto do Aqueduto – Século XVIII», assim como mudou a designação da Rua Francisco António Ferreira para Rua Francisco Ferreira Cangalhas, com a legenda «Arquitecto-Geral das Águas Livres de 1791 a 1808».

Noutras freguesias de Lisboa encontramos mais três arquitetos do Aqueduto: Avenida Manuel da Maia (Areeiro e Arroios), Rua Carlos Mardel (Areeiro e Arroios), Rua Custódio Vieira (Campo de Ourique).

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

José da Silva Pais (Lisboa – Mercês/25.10.1679 – 14.11.1760/Lisboa)  surge cedo na construção do Aqueduto determinada por alvará régio de 1731, na comissão de direção composta com Manuel da Maia e Custódio José Vieira, por nomeação de D. João V que dispensara o primeiro arquiteto responsável pela obra, António Canevari, sendo assim codiretor da obra nos dois primeiros anos da mesma, em 1732 e 1733.

José da Silva Pais foi militar desde os  22 anos, em Lisboa, seguindo nesse ano para a Praça de Olivença, nas funções de ajudante-engenheiro, para depois ficar na Praça de Campo Maior (1712) e ser nomeado Coronel de Engenheiros (1713). É assim que de 1729 a 1733 foi encarregado da implantação de obras em Lisboa, num século em que as profissões de arquiteto e engenheiro eram ainda confundidas uma com a outra.

Em março de 1735 desembarca no Brasil como Brigadeiro, designado para projetar e construir as fortificações do Rio de Janeiro e na Barra de Santos. Traçou também o novo edifício da Alfândega. Depois, como político, fundou a cidade de Rio Grande em 1737 e tornou-se o primeiro governador da Capitania de Santa Catarina, garantindo a presença portuguesa no Prata, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, tendo regressado a Portugal em fevereiro de 1749. Curiosamente, cinco anos depois encontramos uma consulta sobre uma petição de José da Silva Pais, referido como sargento-mor de batalha, que pretendia saldar a sua dívida, propondo a retenção de um terço do seu ordenado por parte do Senado Municipal de Lisboa, quando fossem feitos os pagamentos às tropas.

 

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