A Rua do arquiteto das estações dos CTT, Adelino Nunes

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Adelino Nunes, o arquitecto das estações dos CTT dos anos 30 e 40 do século XX, foi o topónimo atribuído ao arruamento formado pelas Ruas 2 e 3 da Zona N 2 de Chelas que desde 1978 encontramos a ligar a Rua Álvaro Machado à Rua Luís Cristino da Silva.

O Edital municipal de 10 de Agosto de 1978 criou nesta Zona N2 da freguesia de Marvila um Bairro toponímico de arquitetos que, para além da Rua Adelino Nunes, com as Ruas Adães Bermudes, Álvaro Machado, Cassiano Branco, Domingos Parente, José Luís Monteiro, Keil do Amaral, Luís Cristino da Silva, Miguel Nogueira Júnior, Norte Júnior, Pardal Monteiro e Pedro José Pezerat.

Adelino Alves Nunes (Lisboa/14.08.1903 – 07.12.1948/Lisboa) foi um arquiteto formado em 1928 no Curso Especial de Arquitectura Civil da Escola de Belas Artes de Lisboa. Ainda estudante começou a trabalhar no atelier do arquiteto Carlos Ramos, onde durante cerca de 8 anos colaborou na elaboração de obras de linguagem modernista desde o Pavilhão da Rádio aos Concursos dos Novos Liceus, sendo por exemplo co-autor do geométrico liceu masculino de Coimbra (1929-1931).  As suas primeiras obras individuais na arquitetura e no mobiliário foram expostas no Salão dos Independentes de 1930, podendo por isso ser considerado da 1ª geração de modernistas, ao lado  do Grupo dos Cinco:  Cristino da Silva, Cassiano Branco,  Pardal Monteiro, Carlos Ramos e Jorge Segurado.

Depois, Adelino Nunes fez carreira na arquitetura institucional onde ficou a sua marca na arquitetura portuguesa da primeira metade do século XX. Convidado por Duarte Pacheco em novembro de 1934 para a DGEMN, trabalhou para a administração geral dos Correios, Telégrafos e Telefones (CTT), responsável na Comissão Construtora de Novos Edifícios dos CTT por traçar a quase totalidade de novas estações dos CTT construídas nas décadas 30 e 40 do século XX em todo o país. Em Lisboa, traçou  em 1941 o Palácio das Comunicações de Lisboa ou Palácio dos Correios, na Praça Dom Luís I, prédio que começou a ser construído no ano seguinte, contando-se a este propósito que o projeto inicial seria modernista, todo em tijolo e em vidro, mas que depois de todas as aprovações necessárias o que foi construído foi um exemplar típico de arquitetura do Estado Novo.

Ainda como funcionário público, com Jorge Segurado e Amílcar Pinto, conceberamo edifício-emissor da antiga Emissora Nacional, em Barcarena, assim como os interiores do edifício dos estúdios na Rua do Quelhas nº 2, traçados em 1933 e inaugurados em 1935. Em Lisboa,  é ainda obra sua o Edifício dos Herbários (1930) do Jardim Botânico do Museu Nacional de História Natural da Universidade de Lisboa, na Rua da Escola Politécnica.

Adelino Alves Nunes doou o seu espólio ao Sindicato Nacional dos Arquitectos e, para além de Lisboa, também tem a sua memória perpetuada em  Algueirão-Mem Martins através da Rua Arquitecto Adelino Nunes.

Freguesia de Marvila
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

 

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