O arqº José Daniel Santa Rita numa Rua de Telheiras

Desde 2005 que a Rua Daniel Santa Rita perpetua este arquiteto autor de um percurso de cerca de cinquenta anos, também como  mestre das novas gerações de arquitetos da cidade, numa artéria de Telheiras, na freguesia do Lumiar.

Foi pelo Edital municipal de 16 de fevereiro de 2005 que a Rua Daniel Santa Rita, com a legenda «Arquitecto/1929 – 2001», foi atribuída ao arruamento identificado como Rua B de Telheiras Norte III, junto à Rua Frederico George e Rua Francisco da Conceição Silva.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

O arquiteto José Daniel Santa Rita Fernandes (Lisboa/1929 -26.05.2001) deixou a sua marca de modernidade tanto na área da Arquitetura e do Urbanismo como do Design de Mobiliário e de Exposições, após concluir o curso de Arquitetura na Escola do Porto em 1951 regressando à Escola de Belas Artes de Lisboa para defender tese em 1960. Foi considerado um dos autores da chamada Geração Moderna do pós-guerra, tendo procurado um caminho renovado para a Arquitetura portuguesa, distanciando-se de uma certa ortodoxia do Movimento Moderno Internacional, particularmente nas suas intervenções com longa incidência nas décadas de 50, 60 e 70 do século XX.

De 1951 a 1961 trabalhou associado ao arqº Conceição e Silva, e também com Sena da Silva projetaram o pavilhão da Feira de Lausanne de 1957, assim como de 1961 a 1974 fez equipa com Duarte Nuno Simões.

Este inconfundível arquiteto da cidade de Lisboa integrou os quadros técnicos do Gabinete Técnico de Habitação e dos Serviços Culturais da Câmara Municipal de Lisboa, entre 1960 e 1981, podendo salientar-se entre as suas obras as suas habitações para realojamento na Célula F de Olivais Sul (1962-1965), o Plano de Recuperação da Praça da Viscondessa dos Olivais (1962-1969), os ateliers de escultura na Rua Cidade do Lobito (1970-1974) ou o projeto elaborado com Manuel Vicente de conjunto habitacional e rua comercial coberta nas Olaias (1973), para além de ter traçado diversos mercados, nomeadamente o de Campo de Ourique e o do Bairro de Santos (1981-1984, com Rosário Venade e Alberto de Oliveira), na década de 80 do séc. XX.

Ainda nesta cidade de Lisboa, em equipa com Rosário Venade e Fernando Seixas elaborou o conjunto Casal Ventoso-Sete Moinhos para a Operação SAAL do Vale de Alcântara (1975-1976), assim como foi coautor com Manuel Vicente  da reconstrução da Casa dos Bicos (1982 – 1983), no âmbito da XVII Exposição Europeia de Arte, Ciência e Cultura. Também com Rosário Venade criou dois edifícios de habitação, comércio e escritórios para a Tobis Portuguesa (1984) e um edifício residencial na Rua de Campolide, para a EPUL (1986-1992).

Também com o seu filho, o arquiteto João Santa-Rita, produziu vasta obra na passagem da década de 80 para a de 90 do séc. XX, com quem foi sócio fundador da Santa-Rita Arquitectos Ld.ª em 1990, quer no campo da recuperação e modernização de espaços e equipamentos comerciais – Euroleasing, Amoreiras (1989)-,  quer no âmbito de infraestruturas, como a remodelação da Estação de Metropolitano Rotunda I (1992-1996) e da criação da Estação de Cabo Ruivo (1995-1997), destacando-se ainda a reconversão dos Estaleiros da Rocha de Conde de Óbidos e de um palacete do séc. XIX no nº 90 do Campo dos Mártires da Pátria (1991-1996), a intervenção patrimonial no Largo Júlio de Castilho/Museu do Traje  e sobretudo, a reconversão em Alfama para a Casa do Fado e da Guitarra Portuguesa (1992-1997), a que se pode juntar ainda um edifício na Alameda dos Oceanos no Parque das Nações.

Por outro lado, José Santa Rita foi também professor universitário, de Geografia Urbana (1999-2000) e de Deontologia e Ética da Arquitetura e de Economia da Construção (2000-2001) do primeiro curso de Arquitetura da Universidade Lusófona, tendo sido também docente da Universidade Autónoma de Lisboa Luís de Camões.

Fez parte da Direção da Revista Arquitectura e publicou inúmeros artigos em várias revistas de Arquitetura e na imprensa não especializada, assim como se dedicou à investigação de contextos histórico-urbanos bem expressos na obra percursora de história de urbanismo Abrantes Cidade, Análise Crítica, editada pela Câmara Municipal de Abrantes em 1966. José Daniel Santa Rita desempenhou ainda funções nos Corpos Gerentes do Sindicato Nacional dos Arquitetos e da Associação dos Arquitetos Portugueses.

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)