A Rua Rodrigo Franco, arquiteto do Aqueduto e do Santuário do Senhor Jesus da Pedra de Óbidos

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Rodrigo Franco, capitão e arquiteto do século XVIII, um dos envolvidos na execução do Aqueduto das Águas Livres, na fiscalização das obras reais e autor da Igreja do Senhor Jesus da Pedra em Óbidos, está desde a passagem de 1989 para 1990 na Rua 6 do Bairro do Alto da Serafina, na freguesia de Campolide.

As artérias do Bairro do Alto da Serafina começaram por ter um denominação numérica fixada pelo Edital municipal de 15 de março de 1950, a exemplo de outros bairros sociais de Lisboa. Passados 39 anos, o Edital de 28 de dezembro de 1989, no que se considerou ser uma recuperação da toponímia antiga da cidade, tornou a Rua 6 em Rua Rodrigo Franco, com a legenda «Mestre do Aqueduto – Século XVIII». Contudo, a população residente do Bairro contestou a maioria dos topónimos pelo que estes foram alvo de novas designações, com mediação da Junta de Freguesia de Campolide entre os moradores e a Câmara, processo do qual nasceu o Edital municipal de 14 de dezembro de 1990, sendo a Rua Rodrigo Franca um dos poucos topónimos que se manteve, embora com a alteração da legenda para «Arquitecto do Aqueduto – Século XVIII».

Para além da sua participação no Aqueduto das Águas Livres,  pouco se conhece da obra de Rodrigo Franco, para além de ter sido medidor das Obras Reais, nomeado em 13 de agosto de 1745 até ao seu falecimento em novembro de 1763, assim como o autor do Santuário do Senhor da Pedra, construído entre 1740 e 1747,  nos arredores do burgo medieval de Óbidos, como convinha à sua condição de santuário de peregrinação. Insere-se este templo no ciclo de grandes obras mecenáticas de D. Tomás de Almeida, o Cardeal Patriarca de Lisboa e do rei D. João V,  sobressaindo no templo as influências do Convento de Mafra e da igreja lisboeta de Santa Engrácia.

Rodrigo Franco terá trabalhado nos estaleiros do Convento de Mafra, com Ludovice, assim como terá conhecido arquitetos italianos ou italianizantes. No Aqueduto das Águas Livres terá começado como ajudante de Custódio Vieira mas dirigiu toda a obra  entre os anos de 1744 e 1745, sucedendo-lhe nessa tarefa  Carlos Mardel. Pode ter estado envolvido também no traçado do Palácio da Mitra ou Quinta do Arcebispo e de igrejas do Patriarcado.

Da sua obra enquanto «arquiteto e medidores de todas as obras reais» – como surge referido em diversos documentos -, nomeado em 1745, tal como os sargentos-mor José Sanchez da Silva e Carlos Mardel e os ajudantes Eugénio dos Santos, Elias Sebastião Pope e Manuel da Costa Negreiros , verificou e certificou inúmeras obras das quais destacamos as da arca da água do Rato (outubro a novembro de 1750); obras para descobrir água em Vila Chã (julho de 1751);  as obras na arca da água junto ao Mosteiro de Campolide (setembro a outubro de 1751); as obras numa fonte em São Pedro de Alcântara (junho a julho de 1752), a parede do chafariz (outubro de 1752) e os corredores e vãos subterrâneos para introduzir os canos de repuxo do chafariz (abril e novembro de 1753 mais junho de 1754 e março e abril de 1756); obras de um lanço do aqueduto para os bairros da Esperança e da ribeira de Alcântara, bem como no «lanço do aqueduto feito desde a porta do carro dos padres de S. Roque, em frente das portas da Igreja do Loreto e Encarnação» (dezembro de 1756); um lanço do aqueduto no bairro da Esperança, na Rua dos Prazeres e no chafariz do Largo da Esperança (1758); a obra no aqueduto principal na limpeza do mesmo até São Brás,  nos desentulhos provocados pelas cheias do rio em 28 de outubro de 1758 desde a Água Livre até ao Rato e os consertos no aqueduto principal das ruínas provocadas pelo terramoto de 1 de novembro de 1755 para além do conserto dos canos do Rato até à Quinta do Marquês da Fronteira, mais «vários locais dos aquedutos, na descida para S. Bento, adro da igreja, rua Direita do Poço dos Negros, na cerca das freiras da Esperança, rua dos Ferreiros, rua da Boavista, cais do Tojo e fonte de S. Brás» (maio e junho de 1760); a obra para o transporte da água para o novo chafariz no bairro da rua Formosa [hoje, Rua de O Século] (1761 -1762) e da construção desse chafariz (abril de 1763); a obra do arco triunfal da  Rua de São Bento e condução de águas ao bairro da Esperança (abril de 1762).

Sobre a vida pessoal do capitão arquiteto Rodrigo Franco, seguimos o investigador Miguel Portela, que afirma que o mesmo foi batizado em 16 de novembro de 1709 na Igreja de São José em Lisboa, filho de António João Gaspar e Inácia Catarina e faleceu com cerca de 54 anos, em 31 de dezembro de 1763. Casou 3 vezes e teve 3 filhos. Casou com Luísa Maria da Encarnação em 18 de junho de 1732, com quem viveu 22 anos já que esta faleceu em 18 de outubro de 1754. Voltou a casar em 7 de abril de 1755, com Laureana Jacinta Franca, em Santo Antão do Tojal, com quem teve  3 filhos (Ana, Maria e Miguel), tendo esta falecido uns cinco anos depois, em 11 de outubro de 1760. No ano seguinte, em 11 de abril de 1761, o arquiteto avançou para o seu 3º casamento,  com Josefa Maria Teresa.

Freguesia de Campolide
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)