Honorato José Correia, arquiteto do Aqueduto e da igreja de São Julião, numa Rua do Alto da Serafina

Freguesia de Campolide
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Na proximidade do Aqueduto que ajudou a construir está Honorato José Correia, perpetuado numa Rua  do Bairro do Alto da Serafina, na freguesia de Campolide, a ligar a Rua Reinaldo Manuel dos Santos à Rua João da Mota e Silva.

Começou por ser a Rua 13 do Bairro do Alto da Serafina pelo Edital de 15 de março de 1950, que sobretudo colocou denominações numéricas nos Bairros Sociais lisboetas ( Alto da Ajuda, Terras do Forno, Calçada dos Mestres e da Encarnação). Depois, de acordo com registos municipais terá sido algures e por tempo incerto a Rua Martim de Mendonça. Em 1989, o Edital de 28 de dezembro de 1989, no que a Comissão Municipal de Toponímia entendera ser uma recuperação de toponímia antiga da cidade que recordasse profissões tradicionais, passou a denominar-se Rua dos Boleeiros. Os moradores consideraram tal toponímia «atentatória da dignidade das pessoas que habitam o Bairro» e no ano seguinte, a nova Comissão de Toponímia considerou que os topónimos atribuídos não tinham qualquer relação histórica com o Bairro do Alto da Serafina e solicitou à Junta de Freguesia de Campolide a elaboração de um plano toponímico para o Bairro, o qual após algumas alterações de pormenor foi aprovado na Reunião de Câmara de 05/12/1990 e pelo consequente Edital de 14/12/1990 revogou a anterior toponímia e assim, este arruamento passou a ter a designação de Rua Honorato José Correia, com a legenda «Arquitecto das Águas Livres/1754 – 1827».

A Igreja de São Julião em 1961
(Foto: Mário Costa, Arquivo Municipal de Lisboa)

Honorato José Correia de Macedo e Sá (Lisboa/22.12.1754 – 1827/Lisboa) que viria a ser um dos arquitetos do Aqueduto das Águas Livres começou a aprender Desenho em 1763, aos 9 anos, na Casa do Risco do Arsenal do Exército, com Manuel Ferreira, João de Figueiredo e seu pai.  Em 1772 entrou como aprendiz de canteiro para a oficina de João Ferreira Cangalhas, mestre geral de obras públicas e 5 anos depois passou a ajudante de Francisco António Ferreira Cangalhas.

Do seu trabalho sabe-se que  elaborou o levantamento da planta geral da cidade de Lisboa (1785); traçou vários chafarizes como o Chafariz das Laranjeiras (1791) com Cangalhas, o Chafariz na Rua do Arco a São Mamede (1808), o chafariz da Junqueira ou da Cordoaria (1821) ou o Chafariz do Intendente (1823) com Henrique Guilherme de Oliveira; assim como trabalhou em templos, como a reconstrução da Capela de N.ª Sr.ª do Monte (1796),  o retábulo da capela-mor de Santa Engrácia (1819)  e a reedificação da Igreja de São Julião (1824),  no Largo de São Julião, com materiais oriundos do Convento de S. Francisco.

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)