A Rua do arquiteto Custódio José Vieira junto a Dom João V

Freguesia de Campo de Ourique
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Quase 20 anos depois de outros dois responsáveis das obras do Aqueduto das Águas Livres, Manuel da Maia e Carlos Mardel, que ficaram em Avenida e em Rua pelo Edital camarário de 25 de novembro de 1929, chegou também Custódio Vieira à toponímia de Lisboa, numa Rua que liga a Rua Dom João V à Rua Gorgel do Amaral.

Foi pelo Edital municipal de 18 de junho de 1948 que a Rua Custódio Vieira deu nome à Rua B à Rua das Amoreiras, o mesmo que colocou também a Rua Dom João V na Rua A à Rua das Amoreiras, a Rua Gorgel do Amaral na Rua D à Rua das Amoreiras e a Praça das Águas Livres na Praça no extremo oriental da Rua D à Rua das Amoreiras.

Os arcos do Aqueduto sobre o Vale de Alcântara, cerca de 1912
(Foto: Paulo Guedes, Arquivo Municipal de Lisboa)

Custódio José Vieira (cerca de 1690 –1744) foi o sargento-mor e arquiteto do Real Aqueduto das Águas Livres responsável pela obra desde o Monte das Três Cruzes às arcadas dos Vale de Alcântara – de 1736 a 1744 -, que sucedeu ao brigadeiro Manuel da Maia ( mentor da construção desde a Mãe de Água Velha à ribeira de Alcântara, de 1732 a 1736) e que por seu turno, foi sucedido pelo  capitão de engenharia Carlos Mardel (o responsável pela obra da Mãe de Água das Amoreiras e dos principais chafarizes emissários, de 1745 a 1763).  Alvará Régio de Dom João V de 12 de maio de 1731 ditou o início do projeto do Real Aqueduto das Águas Livres que foi concretizado por estes três responsáveis pela obra e por Cláudio Gorgel do Amaral, o Procurador da Cidade de Lisboa, obstinado em resolver o problema do abastecimento de água à cidade, tendo para este efeito lançado sobre a população lisboeta o imposto real de água que incidia sobre o vinho, a carne, o sal e a palha.

Custódio Vieira optou por terminar o Aqueduto na encosta de Campolide com três arcos de volta perfeita e não em ogiva por serem de execução mais fácil, tal como escolheu que as pedras salientes usadas como apoio para os andaimes de construção ficassem, com um propósito estético. Na sua parte mais monumental, o Aqueduto possui 35 arcos, sobre o Vale de Alcântara, 21 de volta perfeita e 14 em ogiva, da autoria de Custódio Vieira, entre eles o maior arco em pedra de vão do mundo, com 65 m de altura e 32 m de abertura. Em 1745, após a morte de Custódio Vieira, Ludovice criticou-lhe a estética e Gorgel do Amaral o despesismo,  mas dez anos depois, após o  terramoto, ficou provado que a quantidade de ferro que utilizara para o fortalecimento da estrutura do arco o fez resistir ao abalo, apesar de se encontrar numa falha sísmica.

Para além de responsável da obra deste Aqueduto das Águas Livres que abasteceu Lisboa até 1967, Custódio Vieira foi também arquiteto das Ordens militares de Santiago e S. Bento de Avis, construiu o Palácio de Vendas Novas e participou na edificação do Convento de Mafra.

Freguesia de Campo de Ourique
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)