A Rua do arquiteto da Casa da Moeda, Jorge Segurado

A Casa da Moeda traçada por Jorge Segurado em 1933
(Foto: Paulo Guedes, 1941, Arquivo Municipal de Lisboa)

Jorge Segurado que nos anos trinta do séc. XX traçou a nova Casa da Moeda, para a Avenida António José de Almeida, está fixado numa artéria do Lumiar desde a publicação do Edital nº 91/2009,  de 25 de setembro de 2009, numa das novas artérias da Quinta dos Alcoutins que acolheram um novo núcleo toponímico lisboeta de arquitetos, com os nomes de Daciano Costa, Formosinho Sanchez, Maurício de Vasconcelos e Jorge Segurado, sendo este último que passou a ser o topónimo da Ruas F, H1, H2, H3 e H4 à Quinta dos Alcoutins.

A Casa da Moeda foi traçada em 1933 pelo Arq.º Jorge Segurado, com Artur Varela, mas só foi inaugurada em 1941, substituindo então a antiga Casa da Moeda na Rua de São Paulo que aí permanecia desde 1720.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Jorge de Almeida Segurado (Lisboa/15.10.1898 – 09.11.1990), filho do Engº João Emílio Segurado, frequentou o Liceu Pedro Nunes, o  Curso Preparatório da Escola de Belas-Artes de Lisboa (1913) onde ficou marcado por José Luís Monteiro e pelo academismo neoclássico, assim como o Curso Especial de Arquitetura (1918) que concluiu em 1924, trabalhando paralelamente no atelier de Tertuliano de Lacerda Marques.

Discípulo confesso de Raúl Lino, Jorge Segurado começou nos anos vinte na Art Déco   para evoluir na década seguinte para a primeira linguagem modernista da arquitetura portuguesa, integrado no Grupo dos Cinco ( Carlos Ramos, Cassiano BrancoCristino da Silva, Pardal Monteiro e Jorge Segurado) e participando no Salão dos Independentes de 1930. Contudo, no final da década trinta mudou para o gosto oficial do Estado Novo (conhecido como o Português Suave), embora mais tarde tenha regressado ao modernismo e aos desenvolvimentos recentes da arquitetura internacional dos anos 50 e 60 do séc. XX.

Do risco de Jorge Segurado, salientamos para Lisboa as seguintes obras:

  • 1926 – Caixa de Previdência da Companhia Carris, na Avenida 24 de Julho nº 58 (traçado sobre a construção de 1879);
  • 1930 – Loja da Alfaiataria Marques & Cª na Rua Garrett nº 66;
  • 1931 – Loja Carrasco na Rua Nova do Almada nº 83;
  • 1932 – Loja do jornal O Século na Praça Dom Pedro IV nº23 e Liceu D. Filipa de Lencastre, no Bairro do Arco do Cego, com António Varela;
  • 1933 – Mais lojas modernistas como a Galeria UP na Rua Serpa Pinto nº 28 ou a Farmácia Azevedo & Filhos na Praça Dom Pedro IV nº 31, assim como a Casa da Moeda, na Avenida António José de Almeida, com António Varela;
  • 1935 – Colégio de Santa Doroteia, na Avenida Marechal Craveiro Lopes nº 1;
  • 1940 – Núcleo das Aldeias Portuguesas da Exposição do Mundo Português;
  • 1941 – Casa Portuguesa de Reynaldo dos Santos, na Avenida António Augusto de Aguiar nº 142;
  • 1943 – Casa Portuguesa de Terra Viana, na Avenida António José de Almeida;
  • 1944 – Estúdios da Tóbis Portuguesa, na Alameda das Linhas de Torres nº 144 e átrio interior do Solar do Vinho do Porto, na Rua de São Pedro de Alcântara nº 45;
  • 1945 – Casa da Suíça na Avenida da Liberdade, nº 158, com Max Kopp e Hunaiger;
  • 1947 – A sua própria moradia na Rua de São Francisco Xavier nº 8, que foi Prémio Valmor 1947;
  • anos 50 – edifícios de ampliação de instalações na Faculdade de Ciências, na Rua da Escola Politécnica, com António Varela;
  • 1959 – Blocos Amarelos para o Montepio Geral, na Avenida do Brasil nºs 112 a 132, com os seus filhos.

Fora de Lisboa, destacamos:

  • 1929 – Liceu Masculino de Coimbra (hoje, Escola Secundária José Falcão), com Adelino Nunes e Carlos Ramos;
  • 1936 – Casa-clínica do Dr. Indiveri Collucci em Paço de Arcos;
  • 1939 – pavilhões de Portugal nas Feiras Internacionais de Nova Iorque e S. Francisco;
  • 1943 – um prédio na Rua Visconde Coriscada, no centro da Covilhã;
  • 1946 – Estalagem de Viriato em Viseu;
  • 1949 a 1951 – cerca de 50 postos de abastecimento para a SACOR;
  • 1951 – Capela de São Gabriel em Vendas Novas;
  • 1952 – Agência da Caixa Geral de Depósitos nas Caldas da Rainha;
  • 1953- 1967 – Estação Agronómica Nacional, em Oeiras;
  • 1960 – Pousada do Infante D. Henrique, em Sagres.

Em paralelo, Jorge Segurado também se dedicou  à investigação da  história da arte e da arquitetura portuguesa, produziu e expôs desenho e pintura na Galeria Diário de Notícias (1983) e foi agraciado como Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada (1941) e Comendador da Ordem Militar de Cristo (1948).

Segurado é apelido de outros arquitetos da sua família. São eles José de Almeida Segurado (1913-1988),   José Maria Segurado (1923-2011) e  João Carlos Segurado, que são o seu irmão e os seus filhos.

Em Sesimbra, também existe uma Rua Jorge Segurado.

Rua Jorge Segurado – Freguesia do Lumiar
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

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