A Rua do pintor oitocentista José Rodrigues

Foto: José Leitão Bárcia, Arquivo Municipal de Lisboa

Desde 1979 que o pintor oitocentista José Rodrigues, autor dos retratos de Herculano e Manuel Fernandes Tomás dos Paços do Concelho de Lisboa, é topónimo de um arruamento da urbanização da Quinta do Ourives, na Freguesia do Beato, com a legenda «Pintor/1828 – 1887».

Foi por sugestão da Comissão Municipal de Toponímia, na sua reunião de 28 de maio de 1979, que os arruamentos da urbanização da Quinta do Ourives foram crismados com nomes de figuras da cultura portuguesa, a saber, o pintor José Rodrigues, o escultor Faustino José Rodrigues, o músico Luís Barbosa e o bibliotecário António Joaquim Anselmo, sendo fixados em 19 de Junho seguinte por Edital municipal.

Exaltação da Cidade de Lisboa pintada por José Rodrigues em 1886
(Foto: Francisco Leite Pinto, anos 80 do séc. XX, Arquivo Municipal de Lisboa)

Filho de Apolinário José e Maria Leonarda, nasceu lisboeta no Largo de São Rafael, como  José Rodrigues de Carvalho (Lisboa/16.07.1828 — 19.10.1887/Lisboa), que recebeu nome igual ao do seu padrinho e nos seus 59 anos de vida residiu nesta cidade, sendo a maior parte na sua casa e atelier na Rua dos Bacalhoeiros nº 125 – 3º.

Foi José Rodrigues o autor dos retratos de corpo inteiro de Alexandre Herculano e Manuel Fernandes Tomás que se encontram nos Paços do Concelho de Lisboa e pelos quais recebeu dois contos de reis, conforme contrato celebrado em 16 de Novembro de 1882. Ainda nos Paços do Concelho, no teto do Salão Nobre, está pintada desde 1886 a sua  alegoria Exaltação da Cidade de Lisboa, cujas figuras principais são Lisboa e o Tejo.

Rua José Rodrigues – Freguesia do Beato
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Este pintor do realismo sentimental estudou na Academia Real de Belas Artes desde 1841,  como aluno voluntário por mor dos seus doze anos, tendo como condiscípulos João Pedro Monteiro (Monteirinho), Francisco Metrass, Tomás da Anunciação, Joaquim Pedro de Sousa ou António José Patrício. Da sua vasta obra, destacam-se os quadros Aparição do Anjo S. Gabriel ao profeta Daniel (1849) que lhe valeu a medalha de ouro da Academia Real de Belas Artes ou O cego rabequista (1855) que no ano seguinte foi mostrada na Exposição Universal de Paris e em 1865, obteve a segunda medalha na Exposição Internacional do Porto.

Para  sobreviver, José Rodrigues pintou mais de 200 retratos por encomenda de meios oficiais ou de burgueses endinheirados e dos quais podemos recordar os do Duque de Saldanha e de José Daniel Colaço (1852), de D. Pedro V, da Condessa do Farrobo e do Conde de Porto-Covo da Bandeira (1860), de Alexandre Herculano para o Gabinete Português de Leitura no Rio de Janeiro que foi medalha de prata da Exposição da Associação Industrial Portuense (1861), de D. Maria II, alguns de D. Luís I (1864, 1866 e 1869) e de António Feliciano de Castilho, cujo  filho Júlio de Castilho escreveu José Rodrigues, pintor portuguez : estudos artisticos e biographicos (1909), a única monografia publicada sobre este pintor.

A sua obra está representada no Museu Nacional de Arte Contemporânea-Museu do Chiado, Palácio Nacional da Ajuda, Museu de Aveiro e Museu da Quinta das Cruzes no Funchal.

Manuel Maria Bordalo Pinheiro pensou a criação da Sociedade Promotora das Belas-Artes que nasceu em 1862 e José Rodrigues integrou o grupo de artistas e fundadores com os artistas plásticos Carlos Krus e Joaquim Pedro de Sousa, os escritores Júlio de Castilho e Zacarias de Aça, o escultor Francisco de Assis Rodrigues, o médico José Maria Alves Branco, os pintores Francisco Lourença da Fonseca, Ferreira Chaves, Joaquim Nunes Prieto, Tomasini e ainda, o 5º duque de Palmela Domingos Borges Coutinho. Três anos depois, em 1865, a Conferência Geral da Academia de Belas Artes também o nomeou Académico de Mérito.

José Rodrigues foi também docente, nomeadamente, no Colégio do Bom Sucesso e no Colégio de S. José de São Domingos de Benfica para além de dar aulas particulares.

Segundo Júlio de Castilho, o pintor casou com Joaquina Lúcia de Brito Veloso Peixoto e o fotógrafo José Leitão Artur Bárcia era seu sobrinho neto.

Freguesia do Beato
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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