A Rua do principal retratista do século XX, Henrique Medina

Freguesia do Parque das Nações
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Henrique Medina, o pintor que foi o principal retratista do século XX,  dá nome a uma artéria de Lisboa desde 1999, na freguesia do Parque das Nações, em resultado de um pedido do Sr. Eduardo António da Costa Soares, residente em S. Mamede de Infesta, dirigido por carta à edilidade lisboeta.

A Comissão Municipal de Toponímia escolheu colocar a Rua Henrique Medina no arruamento situado entre o lote 17 e o lote 21 do Casal dos Machados e tal proposta mereceu a aprovação por unanimidade na sessão de Câmara de 21 de julho de 1999 e o consequente Edital de 30 de julho, tendo o topónimo sido inaugurada no dia 17 de janeiro de 2001, ano em que se celebrou o centenário do nascimento deste pintor portuense.

Henrique Medina em 1958
(Foto: Casa Fotográfica Garcia Nunes, Arquivo Municipal de Lisboa)

Henrique Medina de Barros (Porto/18.08.1901 -30.11.1988/Esposende) era filho de mãe portuguesa (Maria Joana de Barros) e de pai espanhol (o pintor Pascoal Medina) e desde tenra idade, passava férias na casa de família em Goios, freguesia de Marinhas, no concelho de Esposende, à qual regressou definitivamente em 1974 e onde se dedicou a executar retratos da vida rural que o acompanhara durante os seus primeiros anos de vida, tendo o seu atelier nesta localidade sido musealizado.

Freguesia do Parque das Nações
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Henrique Medina começou a estudar a partir dos 10 anos na Escola de Belas-Artes do Porto, com José de Brito, Acácio Lino e Marques de Oliveira. Em 1919, interrompeu o curso para prosseguir estudos em Paris, com os Mestres Cormon e Bérard, durante 7 anos. Depois viveu dez anos em Londres e aí montou um estúdio. Mudou-se para Roma e aí pintou o retrato de Mussolini. A sua primeira exposição teve lugar na Sociedade Nacional de Belas Artes e distinguiu-se nas áreas do retrato- em que figuram chefes de estado, chefes de governo, estrelas de Hollywood, artistas plásticos, músicos, poetas, escritores, médicos, advogados, banqueiros e mulheres da alta sociedade – bem como nas paisagens e trajos regionais, especialmente os da região de Esposende.

Refira-se que em Portugal executou os retratos oficiais de cinco presidentes da República Portuguesa – António José de Almeida (1932), Óscar Carmona (1933), Sidónio Pais (1937), Canto e Castro (1937) e Américo Thomaz (1957)-, além de António de Oliveira Salazar (1939).

Para além dos países já referidos, Henrique Medina também pintou retratos no seu atelier de Hollywood, no Brasil, em Buenos Aires, País de Gales, Suécia, Dinamarca e Espanha, tendo durante toda sua vida  mantido um atelier em Lisboa, na Travessa Escola Araújo.

A sua obra está representada em Portugal, sobretudo na Galeria Henrique Medina do Museu Pio XII, em Braga, em virtude do legado do pintor à Arquidiocese de Braga em 1982 , mas também se encontra, entre outros, no Museu do Chiado-Museu Nacional de Arte Contemporânea, no Museu Nacional de Soares dos Reis (Porto), no Museu Malhoa (caldas da Rainha), na Casa Museu Egas Moniz, no Museu Grão Vasco, na Casa Museu Nogueira da Silva. A nível internacional surge no Metropolitan Opera House de  Nova Iorque, na Lick Foundation de São Francisco, no Museu da Metro Goldwin Mayer (na Califórnia), no Hall of Fame (Washington), no Museu de Cádis, no Museu de Orsay (Paris), na Escola de Guerra “Imperial Staff (Londres), Skockloster (Suécia), Oreby Slott (Dinamarca) e no Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro.

Medina foi condecorado como Cavaleiro da Ordem Militar de Cristo (1930), Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada (1936), Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada (1969) e a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique ( 1984). A Escola Secundária de Esposende tem o seu nome , bem como um Largo e uma Travessa dessa mesma cidade do distrito de Braga, uma Praceta em Matosinhos e outra em Queluz, e Ruas em Ramalde (no Porto),  na Charneca da Caparica (Almada), na Arrentela (Seixal), em Fernão Ferro,  em Sesimbra e em Famões (Odivelas).