A Rua do escultor Machado de Castro de D. José I da Praça do Comércio

Freguesia de São Vicente
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O escultor da estátua equestre de D. José I na Praça do Comércio, Machado de Castro, está perpetuado numa artéria do Bairro Operário à Calçada dos Barbadinhos, a ligar a Rua Pedro Alexandrino à Rua dos Sapadores, desde a última década do séc. XIX.

A Rua Machado de Castro foi atribuída por deliberação camarária de 8 de julho de 1892 na Rua D do Bairro Operário à Calçada dos Barbadinhos. Pela mesma deliberação as restantes ruas do Bairro passaram a denominar-se Rua dos Sapadores (para a Rua A), Rua dos Operários (Rua B), enquanto o pintor Pedro Alexandrino deu nome à Rua C, o militar especialista em fundição de peças de bronze Bartolomeu da Costa ficou na Rua E e o arquiteto Afonso Domingues na Rua F.

Joaquim Machado de Castro (Coimbra/19.06.1731– 17.11.1822/Lisboa), filho de Teresa Angélica Taborda e de Manuel Machado Teixeira, um santeiro ou imaginário coimbrão, com quem aprendeu os primeiros rudimentos de escultura em madeira, veio fixar-se em Lisboa por volta de 1746, com os seus 14 ou 15 anos. Primeiro, trabalhou na oficina do santeiro Nicolau Pinto e depois passou para atelier do escultor em pedra José de Almeida, que estudara na Academia de Portugal em Roma, e daqui transitou  em 1756 para a Escola de Mafra, sendo assistente do Mestre Alexandre Giusti.

A sua obra mais famosa é a estátua equestre do rei D. José I, cuja concurso ganhou no final do ano de 1770 e que foi inaugurada em 1775, como parte central da icónica Praça da reconstrução de Lisboa após o terremoto de 1755: a Praça do Comércio. Refira-se que o escultor costumava descrever extensamente o seu trabalho e sobre esta estátua publicou  em 1810  a Descrição analytica da execução da estátua equestre, sendo o primeiro escultor português a escrever sobre escultura e até escreveu poesia.

Como escultor oficial desde 1782, recebeu diversas encomendas da corte, nomeadamente para túmulos e monumentos régios, como a estátua de D. Maria I (1783) para a Biblioteca Nacional – executada em parte por Faustino José Rodrigues-, a  estátua de D. João VI para o Rio de Janeiro. Machado de Castro também foi chamado a coordenar o programa escultórico da Basílica da Estrela onde fez o pleno de madeira, pedra, mármore e barro com o presépio de cerca de 500 figuras, bem como para  dirigir o programa escultórico do Palácio da Ajuda (1802), onde é autor das  peças ConselhoGenerosidade e Gratidão, assim como foi o autor da estátua de Neptuno que desde 1925 encontramos no centro do Largo de Dona Estefânia mas que foi concebida para o Chafariz do Loreto. Neste cargo,  exerceu ainda o magistério nas aulas reais, bem como na Academia de São José e na Casa Pia e ainda , na sua oficina, onde é sabido que usava modelos de barro por si feitos para os seus discípulos executarem em pedra ou madeira. São ainda obra sua  o presépio da Sé de Lisboa (o seu único dos seus presépios que assinou), o de São Vicente ou a estátua de S. Pedro de Alcântara para o pórtico do convento desta invocação, que foi um dos primeiros trabalhos que o tornaram conhecido.

A Estátua de D. José I na Praça do Comércio da autoria de Machado de Castro
(Foto: Arquivo Municipal de Lisboa, Legado Seixas, 1890)

Joaquim Machado de Castro  foi consagrado em 1814 com a sua admissão como sócio da Academia Real das Ciências, tendo modelado o busto do Duque de Lafões para a sede da instituição.

Faleceu na sua casa na Rua do Tesouro Velho (que a partir de 1890 será Rua António Maria Cardoso) e foi sepultado na Igreja dos Mártires.

Machado de Castro dá ainda o seu nome a um Museu Nacional que lhe foi dedicado em Coimbra, desde a publicação do decreto de 26 de maio de 1911. O seu nome está também num Largo de Aguim (Anadia), numa Praça de Rio de Mouro, numa Praceta de Almada, noutra de Coimbra e ainda noutra de Massamá, em Ruas de Agualva-Cacém, de  Almargem do Bispo, de Aguim, da Brandoa, da Charneca da Caparica, de Coimbra, de Corroios, de Famões, da Gafanha da Nazaré, de Leiria, do Montijo, de Oeiras, de Portimão, da Quinta do Conde, de Rio de Mouro, de Vila Real de Santo António e finalmente, numa travessa da Charneca da Caparica.

Freguesia de São Vicente
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)