O historiador da cartografia portuguesa, Avelino Teixeira da Mota, numa Avenida de Lisboa

Freguesia de Marvila
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Avelino Teixeira da Mota, historiador da cartografia portuguesa a quem o jornalista Norberto Lopes apelidou de «Um Sábio Ignorado», está inscrito na toponímia de Lisboa, numa Avenida de Marvila, passados que eram dois anos  sobre o seu falecimento, através do Edital municipal de 28 de fevereiro de 1984.

Resultado de imagem para avelino teixeira da mota Reflexos do Tratado de Tordesilhas na Cartografia Náutica do Século XVI Avelino Teixeira da Mota (Lisboa/22.09.1920 – 10.04.1982/Lisboa), filho de Avelino da Mota e de Isaura Teixeira, estudou na Escola Primária Oficial N.º 44 e seguiu para o Liceu Passos Manuel até 1938 e nesse mesmo ano, entrou para a Faculdade de Ciências para frequentar as disciplinas necessárias à admissão na Escola Naval (Álgebra, Física, Química e Desenho), onde foi aceite em 15 de setembro de 1939 e assim assentou praça na Armada. Terminado o curso em 1943 ficou com o posto de Segundo Tenente.

Como oficial da Marinha, esteve na Guiné (de 1945 e 1957), primeiro como Ajudante-de-campo do Governador da Guiné, Sarmento Rodrigues, para de 1948 a 1957 integrar a Missão Geo-Hidrográfica da Guiné . Foi também deputado pela Guiné, entre 1957 e 1961. A partir de 1953 foi também incumbido de realizar o inventário e reprodução fotográfica da cartografia antiga portuguesa dos territórios ultramarinos e a partir de 1958, passou a dirigir o Centro de Estudos de Cartografia Antiga da Junta de Investigações do Ultramar, até 1982. Em 1964, era Vogal do Conselho Ultramarino e em 1970 e 1971, foi o chefe do estado-maior do Comando Naval de Angola. Passou à reserva no ano de 1976, quando era presidente do Tribunal da Marinha, no posto de contra-almirante.

Avelino Teixeira da Mota exerceu também como docente, na Escola Naval de 1959 a 1964 e, na Faculdade de Letras de Lisboa,  de 1965 a 1969, como professor de História da Expansão Portuguesa. Com Armando Cortesão, publicou em 1960 duas obras: Portugaliae Monumenta Cartographica Tabularum Grographicarum Lusitanorum Specimen. Da sua obra publicada sobressaem Dom João de Castro, navegador e hidrógrafo (1949), Fernão Vaz: explorador ignorado do Golfo da Guiné e Topónimos de Origem Portuguesa na Costa Ocidental de África desde o Cabo Bojador ao Cabo de Santa Catarina (ambos em 1950), Cinco séculos de cartografia das Ilhas de Cabo Verde (1961), A Cartografia Antiga da África Central e a Travessia entre Angola e Moçambique 1500-1860 (1964), O cosmógrafo Bartolomeu Velho em Espanha (1966), Evolução dos roteiros portugueses durante o século XVI (1969), D. João Bemoim e a expedição portuguesa ao Senegal em 1489 (1971), A África ocidental em Os Lusíadas (1972), Duarte Coelho, capitão-mor de Armadas no Atlântico (1531-1535) (1972), Reflexos do Tratado de Tordesilhas na Cartografia Náutica do Século XVI (1973), A África no planisfério português anónimo “Cantino”: 1502 (1977), Acerca de algumas recentes reuniões internacionais de interesse para a História Marítima (1977) e postumamente, Bartolomeu Dias: Descobridor do Cabo de Boa-Esperança (1988).

Pertenceu a várias instituições nacionais e estrangeiras, entre as quais foi membro da Academia Portuguesa de História, a partir de 1954, sócio da Academia das Ciências de Lisboa desde 1959, académico da Academia  Portuguesa de História (1962), bem como Presidente da Comissão do Infante D. Henrique da Sociedade de Geografia e da Academia de Estudos da Marinha (1979 a 1982).

Para além de Lisboa, Teixeira da Mota está homenageado na toponímia de Oeiras e de Lagos.

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

 

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