João de Barros das Décadas da Ásia numa artéria do antigo Bairro Rolão

Freguesia de Alcântara                                     (Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O autor de Décadas da Ásia, João de Barros, está desde o final do séc. XIX perpetuado numa rua do antigo Bairro Rolão, a ligar a Calçada da Tapada à Rua Aliança Operária. Foi pela deliberação camarária de 8 de julho de 1892 que a Rua nº 1 do Bairro Rolão passou a ser a Rua João de Barros, tal como as outras artérias próximas levaram as designações de nomes da literatura nacional através da Rua Gil Vicente, a Rua Filinto Elísio, a Rua Bocage (que viveu com esta denominação até 29/02/1988) e a Rua Soares de Passos.

Busto no Jardim de São Pedro de Alcântara        (Foto: Artur Inácio Bastos, 1967, Arquivo Municipal de Lisboa)

O homenageado é João de Barros (Viseu/c. 1496 – 20.10.1570/Pombal), cronista, historiador e alto funcionário da coroa portuguesa no reinado de D. João III que nos deixou as quatro Décadas da Ásia (1552 – 1615),  obra dedicada à conquista e colonização da Índia pelos portugueses, assim concretizando a sua ideia de escrever uma história dos portugueses no Oriente, tanto mais que foi tesoureiro da Casa da Índia de 1525 a 1528, para além de a partir de 1532 e até 1568, ter sido o feitor das Casas da Índia e de Mina, quando Lisboa era um empório a nível europeu com todo o comércio estabelecido com o Oriente. A primeira saiu em 1552, a segunda no ano seguinte e a terceira em 1563, sendo que a quarta Década foi completada por João Baptista Lavanha  e publicada em Madrid, em 1615.  Mais tarde, Diogo de Couto foi encarregado de as continuar e publicou mais nove sendo que a totalidade das 14 só foi publicada de 1778 a 1788, em Lisboa. Esta obra fundamental de João de Barros tem um precioso manancial de informações sobre os portugueses na Ásia e podem ser consideradas o princípio da  historiografia moderna em Portugal.

Filho bastardo do nobre Lopo de Barros, João de Barros foi educado na corte de D. Manuel I e com outros moços-fidalgos, aprendeu latim, matemática e humanidades e em 1522 foi para capitão da fortaleza de São Jorge da Mina por vontade de D. João III, a quem dedicara antes o romance de cavalaria Crónica do Imperador Clarimundo  que exalta as origens imaginárias da casa real portuguesa. Em 1540 também publicou a sua Gramática da Língua Portuguesa, acompanhada de diversos diálogos morais para ajudar ao ensino da Língua materna.

Aquando da peste em Lisboa em 1530 e o terramoto do ano seguinte, João de Barros esteve refugiado na sua quinta, próxima de Pombal, e escreveu  biografias como O Panegírico de D. João III. A ela regressou depois de no início de 1568 ter sofrido um acidente vascular cerebral, pelo que foi dispensado das suas funções na Casa da Índia, recebendo do rei D. Sebastião um título de fidalguia e uma tença régia, e aí veio a falecer em 1570, tendo sido sepultado na capela de Santo António, na Quinta dos Claros.

Casou com Maria de Almeida, 3.ª Senhora da Quinta de São Lourenço, de quem teve cinco filhos e três filhas.

Em Lisboa, João de Barros está também representado no Jardim de São Pedro de Alcântara e nas figuras exteriores do Padrão dos Descobrimentos.

Freguesia de Alcântara
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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