A Rua Vilhena Barbosa, em homenagem ao autor de Monumentos de Portugal, no Arco do Cego

Freguesia do Areeiro
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O historiador e arqueólogo do séc. XIX, autor de Monumentos de Portugal, historicos, artisticos e archeologicos, Inácio de Vilhena Barbosa, está homenageado desde 1933 numa Rua  do Bairro do Arco do Cego.

Nascida como Rua de Vilhena Barbosa, pelo Edital municipal de 18 de julho de 1933, na Rua 7 do Bairro do Arco do Cego, a partícula «de» foi suprimida por parecer da Comissão de Toponímia já que não existira uma relação de posse entre o espaço e o homenageado e assim foi homologado pelo Vice-Presidente da edilidade em 13 de abril de 1948.

Pelo mesmo edital de 18 de julho de 1933 foram atribuídos no mesmo Bairro Social do Arco do Cego mais 7 topónimos –  Brito Aranha (na Rua nº 1), Barbosa Colen (Rua nº 2), Arnaldo Gama (Rua nº 3),  Fernando Pedroso (Rua nº 4), Caetano Alberto (Rua nº 5), Gomes Leal (Rua nº 6) e Xavier Cordeiro (Rua nº 8) – tendo sido todos inaugurados em cerimónia pública de 10 de março de 1935.

A construção no Bairro do Liceu Dona Filipa de Lencastre cortara as Ruas Desidério Beça e Cardoso de Oliveira e em 1955, também a construção das escolas primárias cortou em duas as Ruas Vilhena Barbosa, Gomes Leal, Arnaldo Gama e Barbosa Colen, ficando desde aí a Rua Vilhena Barbosa contida entre a Rua Brás Pacheco e a Rua Cardoso de Oliveira.

Inserto em Monumentos de Portugal, historicos, artisticos e archeologicos em 1886

Ignacio de Vilhena Barboza (Lisboa/31.07.1811 – 26.11.1890/Lisboa ?), conforme a grafia original do ano do seu nascimento, foi um historiador e arqueólogo, notável pela sua inventariação dos monumentos portugueses e as suas biografias,  que havia feitos os seus estudos secundários no estabelecimento régio do bairro do Rossio (sujeito à Universidade de Coimbra) e no Real Colégio de S. Vicente de Fora, destinado que estava à carreira eclesiástica mas que abandonou em 1834.

Da sua obra com cariz arqueológico destacam-se, por ordem cronológica, os 2 tomos de Estudos Históricos e Arqueológicos (1874 – 1875)  que junta um conjunto de artigos sobre a criação do arquivo da Torre do Tombo e das  bibliotecas em Portugal, os pelourinhos, o ouro das Minas do Brasil ou a História do Tabaco; com Possidónio da Silva as Noções elementares de Archeologia (1878) ; e Monumentos de Portugal, historicos, artisticos e archeologicos (1886) que terá sido elaborado a partir de uma proposta de Teófilo Braga.

Para além do armorial concelhio em 3 volumes que é  As cidades e villas da monarchia portugueza que teem brasão d’armas (1860-1862) também publicou inúmeras biografias, como as de João de Barros (1841), de Diogo do Couto e do Duque da Terceira (ambas em 1842),  O Dr. Felix de Avellar Brotero, D. Francisco d’Almeida 1.º viso-rei da India,  D. Henrique de Meneses 7.º Governador da India, D. Beatriz rainha de Portugal: mulher d’el-rei D. Afonso III ( todas as quatro em 1843), e em 1844, Visconde de Sá da Bandeira, D. João de Castro 4.º viso-rei da India e Infante D. Beatriz, duqueza de Saboya.

Inácio de Vilhena Barbosa foi ainda membro do Conservatório Real de Lisboa nomeado  pela rainha D. Maria II, quando Almeida Garrett convenceu o governo a tornar o estabelecimento uma academia literária ; sócio  da Academia das Ciências de Lisboa desde 1863, sendo em dezembro de 1875 inspetor da Biblioteca da Academia;  bem como membro da «Real Associação de Arquitectos Civis e Archeologos Portugueses», da Associação dos Jornalistas e Escritores Portugueses, do Instituto de Coimbra, da Academia Nacional de Paris e do Retiro Literário Português do Rio de Janeiro.

Na imprensa, fundou em 1839 o jornal ilustrado Universo Ilustrado, onde imperou a litografia e durou 6 anos. Depois, passou a colaborar com A União, O Diário do Governo (de 1848 a 1850), O Mosaico,  O PanoramaIlustração Luso-BrasileiraRamalhete do Cristão, O Comércio do PortoArquivo Pitoresco – na época de Brito Aranha e Pinheiro Chagas– e O Occidente, tendo publicado artigos como  «Os monumentos da antiguidade em Portugal: as ruínas de Cetóbriga» (1872).

Freguesia do Areeiro
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)