Jardim Garcia de Orta ao Parque das Nações

Freguesia do Parque das Nações
(Foto: António Marques, 1998, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Jardim Garcia de Orta ao Parque das Nações é uma herança toponímica da Expo 98, que pelo Edital municipal de 16 de setembro de 2009 se viu acrescido de «ao Parque das Nações», para evitar equívocos com a Rua Garcia de Orta que desde 1911 existe na freguesia da Estrela (antes, Santos-o-Velho).

Estátua de Garcia de Orta, da autoria de Martins Correia, no IHMT desde 1958
(Foto: 1969, António da Silva Fernandes Duarte, Arquivo Municipal de Lisboa)

Junto ao Passeio das Tágides, o Jardim Garcia de Orta ao Parque das Nações evoca o médico e naturalista que nasceu em Castelo de Vide por volta do ano de 1500 e morreu em Goa em 1568, filho de pais de ascendência judaica, que estudou Artes, Filosofia e Medicina nas Universidades de Salamanca e Alcalá. Regressado a Portugal em 1525, foi médico de D. João III e obteve a cátedra de Filosofia Natural da Universidade de Lisboa em 1530. Todavia, por temer a Inquisição, partiu para a Índia em 1534 e aí se dedicou ao estudo de plantas raras desconhecidas na Europa, publicando em Goa em 1563, o Colóquios dos Simples e Drogas e Coisas Medicinais da Índia e Frutas nela Achadas, com a particularidade de nele incluir a primeira poesia impressa de Camões.

Este jardim integra 5 talhões com floras representativas de 5 locais diferentes: o de África, com vegetação representativa do deserto de Moçâmedes ( Angola) e da ilha de Inhaca (Moçambique); o da Macaronésia, com flora da Madeira, dos Açores e de Cabo Verde; o de S. Tomé e do Brasil, com uma estrutura que ajuda a reproduzir o ambiente das plantas tropicais; o de Goa, baseado nos registos de Garcia de Orta; e o de Coloane que representa a vegetação da China meridional.

Cerca de doze anos após a morte de Garcia de Orta, em 1580, como era uso fazer-se aos judeus que tinham escapado com vida às malhas da Inquisição, foram desenterrados os seus ossos e queimados. Por outro lado, foi criado em Castelo de Vide, o Centro de Estudos Luso-Hebraicos Garcia d’ Orta (1988), o seu nome foi dado ao Hospital de Almada (1991), é o nome de uma Escola no Porto e é também topónimo um pouco por todo o país, como acontece em Abrantes, Albufeira, Almada, Amadora, Baixa da Banheira, Braga, Cabanas de Tavira, Caneças, Casal de Cambra, Corroios, Elvas, Ermesinde, Estoril, Lagos, Linda-a-Velha, Montijo, Odivelas, Oeiras, Portimão, Porto, Quinta do Conde (Sesimbra), Rio de Mouro, Rio Tinto, Seixal, Senhora da Hora (Matosinhos), Vale da Amoreira (Moita), Valongo, Vila do Conde ou Vila Nova de Gaia.

Freguesia do Parque das Nações
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

One thought on “Jardim Garcia de Orta ao Parque das Nações

  1. Passámos por aqui. Iremos visitar brevemente o Jardim enquadrado no Projeto vencedor do OPP 2017- ” Entre Diálogos” evocação à efeméride nos 450 anos da sua morte.
    Grupo de Amigos de Castelo de Vide- associação s/ fins lucrativos

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