A Calçada do Convento seiscentista do Desterro de Alcobaça

Freguesias de Arroios e de Santa Maria Maior
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Esta Calçada que hoje liga a Rua da Palma à Rua de São Lázaro evoca o Convento Cisterciense do Desterro, que os monges de São Bernardo ergueram para casa principal e ficou hospício da Ordem, numas obras que duraram 50 anos, de 1591 a 1640.

Freguesias de Arroios e de Santa Maria Maior
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

No séc. XIX, esta artéria era ainda a Calçada Nova da Bica do Desterro, por mor de uma bica de água nela existente, mas uma deliberação camarária de 18 de maio de 1889 e o consequente Edital de 8 de junho seguinte tornou-a simplesmente na Calçada do Desterro.

O Desterro como topónimo derivado do Convento encontra-se também na proximidades na Rua do Desterro ( Arroios ) – que foi antes um troço da Rua Nova do Desterro e ainda antes, a Travessa Nova do Desterro -; na Travessa da Cruz do Desterro (Arroios ) nascida do edital do Governo Civil de Lisboa de 01/09/1859 que num único arruamento sob esta denominação juntou a Travessa da Cruz e a Travessa Nova da Bica do Desterro; a Rua Nova do Desterro ( Santa Maria Maior , Arroios ) que por Edital municipal de 14/06/1880 tomou o lugar da Travessa Nova do Desterro; e a Travessa do Desterro ( Arroios , Santa Maria Maior ) que por Edital de 08/06/1889 passou a ligar a Calçada do Desterro à Rua Nova do Desterro.

O Convento de Nossa Senhora do Desterro, dos monges de São Bernardo ou de Alcobaça, foi fundado em 8 de abril de 1591, sendo o topónimo uma menção da grande distância sentida à Congregação em Alcobaça, como se estivessem desterrados. Pensa-se que possa ter sido traçado por Filipe Terzio e ocupou todo o  quarteirão definido hoje entre a Rua Nova do Desterro – onde tem a fachada principal – e a Rua Antero de Quental. O plano da Ordem de Cister era de que este convento fosse a casa principal da Ordem mas passou a ser mais um hospício para albergar os frades de São Bernardo quando da província se deslocavam até Lisboa. Em 1750, ainda recebeu doentes do Hospital Real de Todos os Santos, quando este sofreu um grande incêndio e cinco anos depois foi parcialmente destruído. Em 1812, o espaço passou a ser ocupado pela Casa Pia de Lisboa (até 1833) e a congregação de frades saiu de lá. Em meados do século XIX nele passou a funcionar  o Hospital do Desterro, que no final desse século, a partir de 1898, integrava o grupo do Hospital dos Capuchos e do Hospital de Arroios. Refira-se ainda que o  Hospital do Desterro foi expropriado de uma parte, a partir de 1896, para serem abertas a Avenida Almirante Reis e a Rua Antero de Quental.