A Travessa dos Fiéis de Deus para que não voltem as almas do Purgatório

Freguesia da Misericórdia – A Travessa dos Fiéis de Deus no cruzamento com a Rua da Barroca
(Foto: NT do DPC)

Esta Travessa dos Fiéis de Deus, que se alonga desde a  Rua das Gáveas até à  Rua de O Século, é um topónimo derivado de uma capelinha que ali foi erguida em 1551 seguindo o antigo costume dos Fiéis de Deus.

Como pode ler-se na lápide da entrada, foi um tal de Afonso Braz que  em 1551 ali levantou uma capelinha com características rurais, dedicada às almas do Purgatório, crê-se que construída em boa parte com as pedras acumuladas na base das cruzes existentes no cemitério próximo (onde hoje é a Rua dos Caetanos), seguindo o antigo costume cristão dos caminhantes lançarem pedras sobre as sepulturas desejando que a alma atingida fosse  um Fiel de Deus, ou seja, este costume dos Fiéis de Deus radica no costume primitivo de fazer peso sobre o cadáver enterrado para este não voltar ao mundo com o intuito de perseguir os vivos.

A Ermida dos Fiéis de Deus no cruzamento da Rua dos Caetanos com a Travessa dos Fiéis de Deus

Nas beiras das estradas de Portugal, nos locais em que antigamente eram enterrados os justiçados, ficavam pequenos montes de pedras que eram os Fiéis de Deus. Havia o costume de qualquer viajante que por ali passasse rezar pelo fiel defunto e jogar uma pedra no local, acabando  por ficar um pequeno monte de pedras com o passar do tempo.

Durante o século XVI, viveu na Ermida dos  Fiéis de Deus um ermitão cuja função era a de recolher as crianças perdidas e devolvê-las a seus pais. Um documento de 21 de junho de 1628, avança que para além desta Capela dos Fiéis de Deus tinham esta mesma função na cidade o Hospital dos Palmeiros, a Ermida de Nossa Senhora do Paraíso, a Igreja de S. Luís dos Franceses à Porta de Santo Antão, a Ermida de Santa Bárbara e a Igreja dos Anjos. Mais tarde,  em 1690, o Padre Gil Lourenço construiu no local uma nova capela, com um altar em talha dourada e paredes revestidas de silhares de azulejos e  quadros a óleo de Bento Coelho da Silveira que sofreu uma destruição parcial no Terramoto e foi reconstruída com uma estrutura simples. Esta Capela está classificada como Conjunto de Interesse Público.

Freguesia da Misericórdia
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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