A Alameda do Beato António

Freguesia do Beato
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

A Alameda do Beato deve o seu nome ao Convento do séc. XVI que ali foi mandado erguer por Filipe I, sob a coordenação do  cónego Frei António da Conceição, que depois foi beatificado.

Inicialmente,  dada a sua configuração, esta artéria era vulgarmente conhecida por Largo do Beato e é com essa denominação que aparece na planta de Filipe Folque de 1858, tal como sucede na planta municipal de calçadas e canalizações de 1871. Já na planta de 1908 que Silva Pinto executou para a CML é referida como Alameda do Beato e era o local onde no início do século XX se realizavam arraiais, conforme se encontra na documentação municipal.

O Convento do Beato António, como ficou conhecido, passou para a toponímia em redor e assim está ainda hoje na Rua do Beato ( freguesias de Marvila e do Beato ), na Travessa da Alameda do Beato ( freguesia do Beato ), na Travessa do Olival ao Beato ( Beato ) e até a própria denominação da Freguesia onde se insere esta Alameda.

Freguesia do Beato
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

O homenageado neste topónimo é o Frei António da Conceição (Évora/1520 – 1602/Lisboa), que após a beatificação ficou conhecido como Beato António e foi neste sítio o responsável pela construção do novo Convento de S. Bento de Xabregas, a mando de Filipe I. Terá sido tão importante o seu papel que o próprio mosteiro ficou conhecido pelo nome de quem dirigiu a obra.

Desde o séc. XV que existia neste local uma Ermida de S. Bento, propriedade dos frades de Alcobaça no no reinado de D. João I. Em 1461, para dar execução ao testamento da sua falecida esposa D. Afonso V mandou construir no local um hospício-convento que entregou aos religiosos de Vilar de Frades, da Congregação dos Lóios, conhecido até aos finais do século XVI como Convento de São Bento de Enxobregas. Mais tarde, oriundo do Convento dos Lóios de Évora veio Frei António da Conceição dirigir a construção de um sumptuoso convento sobre o primitivo edificado. Segundo a tradição, o frade ganhou fama de milagreiro por ter conseguido erguer a  obra com poucos recursos monetários. Como após falecer, o frade ganhou estatuto de homem santo vindo a ser beatificado no século XVIII, tanto o convento como o sítio passaram a denominar-se Beato António.

Em 1622 ficou pronto o panteão da família dos Condes de Linhares numa nova capela-mor deste templo. O convento quase não foi atingido pelo terramoto de 1755 e acolheu os religiosos do vizinho Convento dos Lóios, passando também a sede da paróquia de São Bartolomeu ao Castelo. Com a extinção das ordens religiosas, em 1834, o templo foi convertido em hospital militar, embora tenha ardido pouco depois, em 1840. O que ficou de pé foi adquirido pelo industrial João de Brito que aí montou um armazém de vinhos, uma oficina de carpintaria e tanoaria e ainda, uma fábrica de moagem a vapor, que a partir de 1849 a Rainha D. Maria II autorizou que usasse como nome de marca «A Nacional».

Nos últimos anos do século XX, o espaço do convento começou a ser usado em eventos de índole cultural e social.

(Foto: Henrique Cayolla, sem data, Arquivo Municipal de Lisboa)