A Travessa de São Jerónimo junto da rua da mesma invocação

Freguesia de Alcântara
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

A Travessa de São Jerónimo que hoje vemos a ligar a Rua da Cruz a Alcântara à Rua Feliciano de Sousa, deriva o seu nome da proximidade a esta última artéria, que se denominou Rua de São Jerónimo até à publicação do Edital municipal de 21 de junho de 1926.

Encontramos a primeira referência escrita a esta Travessa de São Jerónimo em 1807, na planta de Duarte Fava, que também menciona a antiga Rua de São Jerónimo, sendo esta última também mencionada em outubro de 1873, quando Ressano Garcia remeteu ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Francisco Isidoro Viana  os orçamentos da despesa com a construção do cano geral na Rua de São Jerónimo em Alcântara, tal como em dezembro quando o administrador do concelho de Belém solicitou ao edil lisboeta providências para não causar prejuízos aos moradores e aos transeuntes por via das obras do cano terem parado. No séc. XX, o alinhamento da Rua de São Jerónimo é mencionado em documentos municipais de 1904 e 1906 e na plantas de Silva Pinto, de 1910 e 1911, tanto a Rua como a Travessa de São Jerónimo nelas figuram.

Freguesia de Alcântara
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Porquê a invocação de São Jerónimo é que é uma área sobre a qual ainda só podemos formular hipóteses, embora nos pareça que as suas origens podem remontar ao séc. XVI, quando a zona ocidental da Lisboa de hoje tinha como pólos de povoamento o Restelo, a Junqueira, o Calvário e Alcântara.

Recorde-se que quando em 1459 o Infante D. Henrique solicitou autorização para instituir a paróquia de Santa Maria de Belém justificava o pedido por os colonos e lavradores do reguengo de Algés não terem paróquia certa mas foi concedida e extinta em 1497 sendo cerca de 1520 que surgem as primeiras referências à paróquia de Nª Srª da Ajuda. O Mosteiro dos Jerónimos começou a ser construídos em 1502. Em 1514  foi  erguida acima do Mosteiro a Capela de São Jerónimo, com traça de Diogo Boitaca, também conhecida como Ermida dos Navegantes ou Ermida do Restelo, e que é uma autêntica e minúscula réplica do Mosteiro dos Jerónimos. E aqui surge uma hipótese de explicação: sendo desconhecida em Alcântara uma capela dedicada a São Jerónimo pode o topónimo ter sido gerado no séc. XVI por referência à Ermida mais próxima que era a de São Jerónimo?… Recordamos que a Ermida de Santo Amaro só foi edificada a partir de 1542 e até 1549.

Por outro lado,  em 1520, a peste assolou fortemente Lisboa o que obrigou a improvisar rapidamente um hospital na quinta de D. Jerónimo de Eça, na Horta Navia, junto à ponte de Alcântara, mesmo na zona fronteira ao local da Travessa e Rua de São Jerónimo, por ordem de D. Manuel I de 23 de julho de 1520. Nesta época a Câmara de Lisboa ordenou também aos moradores de toda a zona que concorressem para a obra. Poderão os topónimos Travessa e Rua de São Jerónimo ter sido a canonização popular de D. Jerónimo de Eça pela cedência da sua quinta para a peste não se espalhar?…

Pormenor da planta de Filipe Folque de 1857

 

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