Ferrer Trindade, o compositor da Canção do Mar numa rua do Lumiar

Freguesia do Lumiar
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O compositor Francisco Ferrer Trindade, autor da famosa Canção do Mar,   está homenageado desde 2004 numa artéria do Lumiar que se estende desde a Rua José Cardoso Pires até à Rua Helena Vaz da Silva.

Foi pelo Edital municipal de 14 de julho de 2004 que a Rua Ferrer Trindade passou a ser o topónimo da Rua 7.2 entre a Malha 7 e PER 9, cinco anos passados desde a morte deste nome do panorama musical português, a partir de uma sugestão do Sr. Manuel Lopes à Comissão Municipal de Toponímia, um funcionário dos CTT responsável pela atribuição de códigos postais que bastantes vezes endereçou propostas de toponímia para Lisboa.

Francisco Ferrer Trindade (Barreiro/09.12.1917 – 13.01.1999/Lisboa) foi um compositor e maestro consagrado, para o que muito contribuiu o enorme sucesso da sua Canção do Mar ou de Nem às Paredes Confessotendo no campo da música ligeira integrado as orquestras de Tavares Belo e Almeida Cruz, dirigido a Orquestra de Variedades da Emissora Nacional/RDP e também formado a sua própria orquestra – Orquestra Ritmo – que circulou pelos casinos de Espinho, Figueira da Foz, Póvoa de Varzim e Casino Estoril, acompanhando importantes artistas nacionais e estrangeiros. Também compôs para o Teatro de Revista.

Ferrer Trindade formara-se no Conservatório Nacional de Lisboa como aluno externo ao mesmo tempo que trabalhava. Somou ainda um curso de Composição e Direção de Orquestra da Academia de Santa Cecília em Milão. Começou por tocar na Orquestra de Câmara do Conservatório, clarinete na Banda da Armada e violino na Orquestra Filarmónica de Lisboa.

Cantaram músicas suas Amália, Artur Garcia, Anita Guerreiro, António Calvário, António Mourão, Carlos Ramos,  Lenita Gentil, Maria da Conceição, Maria da Fé, Maria de Lurdes Resende e Simone de Oliveira, entre muitos outros.

Foi premiado com o 1º Prémio do Festival da Figueira da Foz – com a composição Olhos de Veludo –  e um 3º com Sombras da Madrugada, para além do 1º e 2º Prémios do Festival de Luanda. Sendo colaborador da RTP desde a sua inauguração, como maestro, foi o escolhido em 1969 para dirigir a Orquestra da Eurovisão,  com a canção A Desfolhada, no Teatro da Ópera de Madrid, outro tema de que foi o autor da música.

Foi agraciado com a Medalha de Ouro da Emissora Nacional, a Medalha de Mérito Artístico do Governo Civil do Distrito de Setúbal e a Medalha da Cidade de Setúbal e uma sessão comemorativa do seu centenário organizada pela Câmara Municipal do Barreiro.

O seu nome é ainda topónimo em Barreiro, Cascais, Fernão Ferro, Paço de Arcos, Palmela e Setúbal.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)