O Largo do 1º Mestre das Filarmónicas Portuguesas, Rodrigues Cordeiro

Freguesia de Alvalade
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

A partir da proposta do então Vice-Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Luís Pastor de Macedo, nasceu o Largo Rodrigues Cordeiro, em Alvalade, para guardar a memória do primeiro Mestre das Filarmónicas Portuguesas,  que ainda no séc. XIX dedicou grande parte da sua vida a ensinar diversos instrumentos, nas sociedades filarmónicas do país.

Foi pelo Edital de 20 de outubro de 1955 que se fixou junto à Rua Guilhermina Suggia o Largo Rodrigues Cordeiro, arruamento antes identificado como Praceta III da Rua 59 ou Praceta à Rua 58 do Sítio de Alvalade. O mesmo edital atribuiu naquele bairro os nomes da violoncelista Guilhermina Suggia (Rua 59), dos irmãos cantores líricos António (Rua 57) e Francisco Andrade (Rua 58) e ainda, do barítono Dom Francisco de Sousa Coutinho (Rua 56).

João Rodrigues Cordeiro (Brasil- Rio de Janeiro/1826 – 11.05.1881/Lisboa) foi um compositor musical, filho do médico português Rodrigues Curto que veio para Lisboa com apenas 2 anos. Ainda jovem perdeu o pai, o que conduziu a dificuldades para a sua família, tendo sido um protetor que lhe pagou os estudos na Escola Médica de Lisboa, onde se inscrevera em 1842, mas da qual acabou por desistir para se matricular em 1844 no Conservatório de Lisboa, onde frequentou as classes de contrabaixo e de harmonia, tendo sido aluno de contrabaixo de João Jordani.

Como instrumentista podia sustentar-se e começou logo a tocar em orquestras e a ensinar nas sociedades de amadores, acabando por ser conhecido como o primeiro mestre das filarmónicas portuguesas. As suas composições espalharam-se pelas bandas filarmónicas e militares, de Portugal e do Brasil, sendo muito estimado no meio filarmónico e muito requisitado pelos seus preços convidativos.

A banda filarmónica foi criada no meio militar no decorrer do séc. XVIII mas no século XIX adquiriu uma identidade própria, em termos orgânicos e de repertório, dando origem ao desenvolvimento do «movimento filarmónico», com a criação de dezenas de bandas filarmónicas civis, a partir dos meios urbanos e expandindo-se para a periferia. Ainda na primeira metade do séc. XIX, Lisboa viu nascer diversas sociedades musicais, com pequenas orquestras e as primeiras bandas civis, como a Academia Philarmonica (1838), a Sociedade Philarmonica Portuguesa (1840), a Academia Melponense (1846), a Academia Philarmonica Lusitana (1848), a Sociedade Recreação Philarmonica (1842), a Academia Apollinea Lisbonense (1846) e a Academia Philarmonica Lisbonense (1850). As sociedades filarmónicas protagonizaram essa onda de democratização da cultura musical, através dos eventos frequentados pela burguesia nos espaços públicos ao ar livre, onde se podiam encontrar grupos com diferentes origens sociais.

Rodrigues Cordeiro teve uma produção musical considerável em que também somou aberturas para orquestras, solos para diversos instrumentos, música para igreja, música de baile, marchas, hinos, trechos para piano e canto, música para comédias e dramas teatrais e ainda, a opereta Qual dos três? representada no Teatro Ginásio em 1870.  Sabe-se que foi para entrar a Associação Musica 24 de Junho que em 1864 criou Fantasia para contrabaixo.

O seu nome foi também perpetuado, postumamente, numa dessas associações para quem mais trabalhou: na Sociedade Filarmónica João Rodrigues Cordeiro, fundada em 4 de março de 1896 no nº 46 da Rua da Fé.

Freguesia de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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