Tomás Alcaide, o tenor dos cartazes líricos da Europa, numa Rua de Marvila

Freguesia de Marvila
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Tomás Alcaide, o tenor dos cartazes líricos da Europa dos anos vinte aos quarenta, está consagrado numa Rua de Marvila desde 1970, seguindo a edilidade uma sugestão da Editorial Polis e concretizando-a na Rua I – 10 da Malha I de Chelas pelo Edital de 4 de novembro de 1970, o mesmo que fixou também a Rua Actriz Palmira Bastos (Rua I – 12) e a Rua Aquilino Ribeiro (Rua I – 9) na mesma zona da cidade, o Bairro das Amendoeiras.

Tomaz de Aquino Carmelo Alcaide (Estremoz/16.02.1901-09.11.1967/Lisboa), filho de Roberto Maria Alcaide e de Maria das Pedras Alvas Gomes Carmelo, foi aluno do Colégio Militar desde os 11 anos e abandonou Medicina para se tornar cantor lírico, como tenor. Teve lições com os professores de canto Alberto Sarti, o barítono Francisco de Sousa Coutinho e a meio-soprano Eugenia Mantelli. A sua 1ª apresentação pública ocorreu no Teatro Bernardim Ribeiro de Estremoz e em Lisboa, fez a sua estreia no Clube Estefânia, cantando La Bohème, para depois, já profissionalizado interpretar o  Rigolleto (1924) no Teatro Nacional de São Carlos.

Em 1925, partiu para Milão, onde se estreou como Maestro Wilhelm da ópera Mignon, no Teatro Carcano. A partir daí figurou nos grandes cartazes líricos da Europa e da América, no decorrer da II Guerra Mundial, até se retirar em 1948. Pisou, entre outros, os palcos italianos do Teatro Duse de Bolonha,  do Teatro San Carlo de Nápoles, do Teatro Reale de Roma, do Teatro Alla Scala de Milão, bem como o austríaco Opera House de Viena, o Teatro Opera de Monte Carlo, o belga Théâtre Royal de la Monnaie, os franceses  Gran Teatro Opera de Paris, Palais de la Mediterranée de Nice, Gran Théâtre de Bordéus e o Teatro do Casino de Vichy, o Teatro Liceo de Barcelona, os norte-americanos Boston Opera House e Gallo Theater – Broadway, o argentino Teatro Colón, os brasileiros Teatro Municipal do Rio de Janeiro e Teatro Municipal de S. Paulo e os portugueses Sá da Bandeira (Porto), Coliseu dos Recreios e Teatro Nacional de São Carlos.

Ficaram famosas as suas interpretações no Fausto (1926), La Bohème (1927),  Pescadores de Pérolas de Bizet (1929), La Favorita, no Rigoletto, Cavalleria RusticanaManon, Romeu e Julieta (1931)ou Werther (1933) Participou ainda no filme Bocage (1936) de Leitão de Barros.

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Depois de abandonar os palcos, tornou-se funcionário da Emissora Nacional (até 1962), tendo colaborado em programas de rádio com João de Freitas Branco e de Maria Helena de Freitas. Também foi mestre de canto e encenador da Companhia Portuguesa de Ópera e Escola de Canto do Teatro da Trindade. Aquando da inauguração do Teatro Monumental, em 1951, integrou o elenco da opereta As 3 Valsas, com Laura Alves, João Villaret e Eugénio Salvador, a que se seguiram a opereta Justiça de sua Majestade e as peças As mulheres de quem se fala e Sua Alteza Real. Publicou ainda em 1961 uma autobiografia intitulada Um Cantor no Palco e na Vida.

Na sua vida pessoal casou com Katharine Riche, de quem teve uma filha em 1927 e de quem se separou em 1930. Voltou a casar em 29 de Agosto de 1941, com a brasileira Asta-Rose Jordan.

Tomás Alcaide foi condecorado em 1934 como Cavaleiro da Ordem Militar de Cristo e como Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada e em 2001, com a Medalha de Ouro de Mérito Municipal de Estremoz, um Monumento em frente à casa onde nasceu (em Estremoz) e onde estão depositadas as suas cinzas, tendo ainda dado o seu nome ao Orfeão de Estremoz Tomaz Alcaide e a um Festival de Canto local, para além de também surgir na toponímia da sua terra natal (Estremoz), da Amadora, de Corroios, Évora, Fernão Ferro, Linda-a-Velha, Mem Martins e Sobreda (Almada).

Inauguração da Rua Tomás Alcaide em 16 de fevereiro de 1971
(Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)