A Rua do compositor Jorge Croner de Vasconcelos

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O compositor Jorge Croner de Vasconcelos está perpetuado na toponímia da urbanização da Quinta da Torrinha à Ameixoeira, desde a publicação do  Edital municipal de 1 de fevereiro de 1993, onde deu nome à Rua E, assim como nas Ruas D e B ficaram os compositores Rui Coelho e Constança Capdeville e na Rua projectada à Rua Particular fixou-se o cantor lírico Hugo Casaes.

Jorge Croner de Sant’Ana e Vasconcellos Moniz de Bettencourt (Lisboa/11.04.1910 – 09.12.1974/Lisboa),  oriundo de uma vasta família de músicos e  filho do violinista Alexandre Bettencourt e da pianista Laura Croner, distinguiu-se também na área musical, como pianista,  compositor e professor de música.

Estudou solfejo com a mãe e a partir de 1927, no Conservatório de Lisboa: piano com Alexandre Rey Colaço, composição com Luís de Freitas Branco, António Eduardo da Costa Ferreira, Francisco Lacerda e Eduardo Libório. Com Fernando Lopes Graça, Armando José Fernandes e Pedro do Prado formou o Grupo dos Quatro, com jovens e alunos do Conservatório Nacional de Lisboa, que influenciou a música neoclássica portuguesa na década de trinta do séc. XX.

Croner de Vasconcelos também frequentou Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras de Lisboa e findos os estudos no Conservatório Nacional de Lisboa, em 1934, abalou para Paris, com uma bolsa da Junta de Educação Nacional, para estagiar na École Normale de Musique, até ao verão de 1937: harmonia, contraponto e história da música com Nadia Boulanger; composição, com Paul Dukas, Roger Ducasse e  Igor Stravinsky; piano com Mme Giraud-Latarse; e interpretação, com Alfred Cortot.

Exerceu como docente de História da Música na Academia de Amadores de Música a partir de 1937, assim como a partir do ano seguinte marcou várias gerações no Conservatório Nacional, nas disciplinas de Composição, Canto e História da Música, como Constança Capdeville, Maria de Lourdes Martins, Filipe Pires, Armando Santiago ou Filipe de Sousa. Também deu aulas particulares de Canto e Piano, para além dos  Cursos de Verão do Estoril dos anos sessenta do séc. XX.

Chegou a apresentar-se em recitais internacionais, em Paris, Londres e Bruxelas, em 1939, com a cantora Arminda Correia mas em 1843 abandonou a carreira de pianista. Como compositor produziu algumas obras neoclássicas muito importantes, de música dramática, coral e sinfónica, muitas delas compostas a partir de textos de poetas clássicos da Literatura Portuguesa – como Comigo me desavim de 1938 ou Erros Meus de 1972 -, misturando modalismo e cromatismo, mostrando evidentes raízes na música portuguesa de Carlos Seixas, para a qual fez  um repertório para piano e arranjos para diversas peças, como Três Tocatas a Seixas  de 1942. Criou também obras de música sinfónica para o Secretariado Nacional de Informação (SNI) nas décadas de quarenta e cinquenta e os Oito Cantos de Natal no seu último ano de vida.

Jorge Croner de Vasconcelos está também na toponímia da Charneca da Caparica (Almada) e de Corroios (Seixal).

Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)