A Rua Vitorino Nemésio, das ilhas, se bem me lembro

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Vitorino Nemésio da açoriana Ilha Terceira, escritor e professor da Faculdade de Letras, de rosto conhecido pelo seu programa televisivo Se bem me lembro, está desde o ano do seu falecimento perpetuado numa artéria da freguesia de Santa Clara.

Foi pelo Edital municipal de 20 de novembro de 1978 que passou a ser o topónimo da Rua B da Quinta de Santa Clara à Ameixoeira, o mesmo que colocou na Rua A o também escritor Jorge de Sena.

Vitorino Nemésio Mendes Pinheiro da Silva (Ilha Terceira-Praia da Vitória/19.12.1901 – 20.02.1978/Lisboa), filho de Vitorino Gomes da Silva e de Maria da Glória Mendes Pinheiro, notabilizou-se como professor universitário e escritor.

Na sua carreira académica foi também diretor da Faculdade de Letras de Lisboa, de 1956 a 1958, bem como agraciado como Doutor Honoris Causa pelas Universidades de Montpellier e Ceará, sendo também sócio efetivo da Academia das Ciências de Lisboa. Cumpriu o serviço militar, como voluntário, a partir de 1919 e concluiu o liceu em Coimbra, em 1921. Inscreveu-se em Direito em Coimbra mas, três anos mais tarde, trocou pelo curso de Ciências Histórico-Filosóficas, e no ano seguinte, passou para o curso de Filologia Românica. Em 1930 transferiu-se para a Faculdade de Letras de Lisboa onde concluiu, em 1931, o curso de Filologia Românica, e desde logo começou a ensinar Literatura Italiana e, mais tarde, Literatura Espanhola. Doutorou-se em 1934 com a tese A Mocidade de Herculano até à Volta do Exílio. Também foi professor na Universidade Livre de Bruxelas, entre 1937 e 1939, assim como no Brasil, em 1958. Publicou diversos ensaios de que se salientam Sob os Signos de Agora (1932), Relações Francesas do Romantismo Português (1936) ou Conhecimento de Poesia (1958).

Na carreira literária, pontificou na revista Presença a partir de 1930 e tanto foi poeta como cronista ou romancista. É o autor de obras incontornáveis como o romance Mau Tempo no Canal (1944) –  galardoado com o Prémio Ricardo Malheiros – ou as crónicas de Corsário das Ilhas (1956) tendo sido o seu primeiro livro de poemas: Canto Matinal (1916). Na poesia, destaquem-se também Eu, Comovido a Oeste (1940), Limite de idade (1972), Sapateia Açoriana, Andamento Holandês e Outros Poemas (1976) e o póstumo Caderno de Caligraphia e outros Poemas a Marga (2003), tal como na ficção Varanda de Pilatos (1926) ou Quatro prisões debaixo de armas (1971).

Na televisão ficou célebre pelo seu programa semanal Se bem me lembro, de 1970 a 1975, onde de postura e forma descontraída, durante meia hora em horário nobre, discorria sobre mentalidades e cultura em geral. Mas na comunicação social tinha uma história longa: fundou e dirigiu Estrela d’Alva. Revista Literária Ilustrada e Noticiosa (1916), a Revista Portugal (1937) e dirigiu o jornal O Dia entre 11 de dezembro de 1975 a 25 de outubro de 1976; com Branquinho da Fonseca e Gaspar Simões fundou a revista Tríptico (1924) e com Paulo Quintela, Cal Brandão e Sílvio Lima, Gente Nova. Jornal Republicano Académico (1927); foi redator de A Pátria, A Imprensa de Lisboa, Última Hora (1921), do Humanidade de Coimbra (1925); e ainda colaborou na revista Bizâncio (1923), na Seara Nova (1928), em O Diabo (1935), regularmente com uma rubrica no Diário Popular (1946), na revista Vértice (1947) e também regularmente na revista Observador (1971).

Foi agraciado com o Grande Oficialato da Ordem da Infante D. Henrique (1961) e da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada (1967) de que também recebeu,  a título póstumo, a Grã-Cruz (1978). Foi ainda Prémio Nacional de Literatura em 1965 e Prémio Montaigne em 1974.

Está também homenageado na toponímia de sul a norte de Portugal: em Abrantes, Albufeira, Alcabideche, Alhos Vedros, Amadora, Amora (Seixal), Arcozelo, Arrifana (Santa Maria da Feira), Azeitão, Baixa da Banheira, Beja, Braga, Campo Maior, Carcavelos, Cascais, Charneca da Caparica, Coimbra, Corroios, Eixo (Aveiro), Entroncamento, Ermesinde, Esmoriz, Estoril, Évora, Famões (Odivelas), Fânzeres (Gondomar), Ferreira do Alentejo, Figueira da Foz, Fontinhas (Praia da Vitória), Gaio-Rosário, Loures, Lousã, Maia, Mangualde, Matosinhos, Mem Martins, Montijo, Odivelas, Oeiras, Ovar, Palmela, Parede (Cascais), Pinhal Novo, Portalegre, Porto, Porto Martins (Praia da Vitória), Póvoa de Santa Iria, Póvoa de Santo Adrião (Odivelas), Queluz, Quinta do Conde (Sesimbra), Ramada (Odivelas), Regadas (Fafe), Rio de Mouro, Rio Tinto (Gondomar), São Mamede Coronado, Samora Correia, São Domingos de Rana, São João da Madeira, São João da Talha (Loures), São Julião do Tojal (Loures), Sobrado (Valongo), Sobreda (Almada), Trofa, Valbom (Gondomar), Vila Nova da Barquinha, Vila Praia de Âncora, Vilar de Andorinho (Vila Nova de Gaia) e Vilar do Paraíso (Vila Nova de Gaia).

2 thoughts on “A Rua Vitorino Nemésio, das ilhas, se bem me lembro

  1. Pingback: A Rua António Alçada Baptista de «Os Nós e os Laços» | Toponímia de Lisboa

  2. Pingback: Rua Matilde Rosa Araújo | Toponímia de Lisboa

Os comentários estão fechados.