Retalhos da vida de Fernando Namora numa Rua de Telheiras

Freguesias de Carnide e do Lumiar
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O escritor e médico Fernando Namora, autor de Retalhos da Vida de um Médico, logo no ano seguinte ao seu falecimento passou a ser o topónimo da até aí identificada como Rua A do estudo de urbanização da Quinta de Santo António a Telheiras, ficando a ligar a Rua Prof. Francisco Gentil à Rua do Seminário desde a publicação do Edital Municipal de 17 de julho de 1990.

Capa da revista Ilustração de 22 de dezembro de 1975

Fernando Gonçalves Namora (Condeixa/15.04.1919 – 31.01.1989/Lisboa) foi um médico que se construiu também como escritor. Começou a sua carreira literária a solo com poesia –  Relevos (1937) onde se notam a influência do grupo da Presença – e o seu terceiro livro de poesia, Terra, iniciou em 1941 a colecção Novo Cancioneiro, uma iniciativa neorrealista nascida nas tertúlias coimbrãs de José João Cochofel. Contudo, o seu primeiro prémio – o Prémio Almeida Garrett – obteve-o com o romance As Sete Partidas do Mundo (1938). São também obra sua que aqui destacamos Fogo na Noite Escura (1943), Casa da Malta (1945),  As Minas de S. Francisco (1946), Retalhos da Vida de um Médico (1949-1963),  A Noite e a Madrugada (1950), Deuses e demónios da medicina (1952) que foi Prémio Ricardo Malheiros, O Trigo e o Joio (1954), Domingo à Tarde (1961) que foi Prémio José Lins do Rego e sobretudo, Rio Triste (1982) que foi galardoado com o Prémio Fernando Chinaglia, o Prémio Fialho de Almeida e o Prémio D. Dinis.

Refira-se que várias da suas obras passaram às telas cinematográficas. Retalhos da Vida de um Médico realizado por Jorge Brum do Canto (1962) foi mesmo selecionado para o Festival de Berlim e foi adaptado para série televisiva (1979-1980) por Artur Ramos e Jaime Silva. Manuel Guimarães, com Manuel da Fonseca levou o Trigo e o Joio para um filme (1965), no mesmo ano em que António Macedo realizou Domingo à Tarde, selecionado para o festival de Veneza. Artur Ramos  voltou a pegar neste escritor em A Noite e a Madrugada (1985) e no ano seguinte, com adaptação de Dinis Machado para televisão, em Resposta a Matilde. Vítor Silva também fez a curta metragem O Rapaz do Tambor (1990).

Como médico,  Fernando Namora exerceu na sua terra natal, na Beira Baixa (na aldeia de Monsanto permaneceu entre outubro de 1944 e outubro de 1946) e no Alentejo, até se fixar em Lisboa, no Instituto Português de Oncologia. Ao longo da sua vida também foi ensaísta de temáticas diversas e pintou, tendo mesmo em 1938 alcançado o Prémio Mestre António Augusto Gonçalves.

Fernando Namora foi condecorado com a Medalha de Ouro da Societé d’Encouragement au Progrés (1979) e com a Grã Cruz da Ordem do Infante (1988). Em 1981, foi proposto para o Prémio Nobel da Literatura, pela Academia das Ciências de Lisboa e pelo PEN Clube.

O nome deste escritor integra também a toponímia de Condeixa-a-Nova, Abrantes, Albufeira, Alcabideche, Alhos Vedros, Almada (Caparica, Charneca da Caparica ), Alverca do Ribatejo, Amadora, Baixa da Banheira, Barreiro (Santo António da Charneca, Barreiro), Beja, Borba, Braga, Bragança, Loures ( Bobadela, Camarate), Castelo Branco, Coimbra, Estoril, Évora, Fafe (Fafe, Regadas ),  Faro, Ferreira do Alentejo ( Canhestros, Figueira dos Cavaleiros ), Gondomar ( Rio Tinto, São Cosme), Idanha-a-Nova, Lagos, Loulé, Loures (Loures, Prior Velho, Santa Iria de Azóia, São João da Talha, São Julião do Tojal  ), Lousã, Maia ( Pedrouços, Vermoim), Mangualde, Marvão, Massamá, Moita,  Montemor-o-Novo, Odivelas ( Odivelas, Famões, Póvoa de Santo Adrião, Ramada), Oeiras, Ovar, de Palmela, Pavia, Póvoa de Santa Iria, São Domingos de Rana, Santa Maria da Feira ( Arrifana, Fiães ), Seixal (na Amora, Arrentela, Corroios ), Sabugal, Salvaterra de Magos, Sesimbra (Quinta do Conde,Sesimbra),  Setúbal, Torres Vedras, Trofa (São Mamede Coronado), Valongo, Vila Franca de Xira, de Vila Nova de Famalicão, Vila Nova de Gaia (Arcozelo, Vila Nova de Gaia).

Freguesias de Carnide e do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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