A Rua Augusto Abelaira da Cidade das Flores

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O romancista Augusto Abelaira, que se estreou em 1959 com A Cidade das Flores, passou a ser o topónimo da Rua Projectada A do PER Rego, quatro anos após o seu falecimento, através do Edital de 23 de abril de 2007.

Augusto José de Freitas Abelaira ( Cantanhede -Ançã/18.03.1926 – 04.07.2003/Lisboa), começou a sua vida literária em 1959 com Cidade das Flores, numa  edição de autor, já que na época nenhuma editora arriscou publicar um romance situado na Florença de Mussolini. Dos seus 13 livros publicados como romancista e mais  3 como dramaturgo foram distinguidos As Boas Intenções (1963) com o Prémio Ricardo Malheiros da Academia das Ciências,  Enseada Amena (1966) com o Prémio de Romance de IV Encontro da Imprensa Cultural, Sem Tecto entre Ruínas (1978) com o Prémio Cidade de Lisboa e o seu último romance publicado em vida, Outrora Agora (1996), uma homenagem a Fernando Pessoa, recebeu o Grande Prémio Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, o Prémio Municipal Eça de Queirós da Câmara Municipal de Lisboa e ainda o Prémio P.E.N. Clube Português de Ficção.

Os seus outros títulos foram as peças A Palavra É de Oiro (1961), O Nariz de Cleópatra (1962) e Anfitrião, Outra Vez (1980), assim como os romances Os Desertores (1960), Bolor (1968), o monólogo Ode (quase) marítima (1968) com desenhos de Maria Keil, o livro de contos Quatro Paredes Nuas (1972), O Triunfo da Morte (1981), O Bosque Harmonioso (1982), O Único Animal Que publicado primeiro no Jornal de Letras de 16/03/1982 a 29/03/1983, Deste Modo ou Daquele (1990) e o romance póstumo Nem Só Mas Também (2004).

Licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras de Lisboa, Augusto Abelaira foi também professor do ensino secundário ao longo de cinco anos, nos liceus lisboetas Dom João de Castro e Pedro Nunes. Foi também tradutor  de 1961 a 1996, sendo de destacar o seu trabalho em  A Roda da Fortuna de Roger Vaillant, O Tambor de Günter Grass, A Segunda Guerra da Indochina de Wilfred G. Burchett, O Doutor Jivago de Boris Pasternak e O Declínio da Idade Média de Johan Huizinga. Refira-se também os seus breves ensaios, como os que publicou na Gazeta Musical e de Todas Artes sobre Fernanda Botelho,  João José Cochofel, José Gomes Ferreira ou Urbano Tavares Rodrigues, para além de ter escrito os prefácios de Puta de Prisão: a prostituição vista em Custóias (1982) de Isabel do Carmo e Fernanda Fráguas e de De Noite as Árvores são Negras (1987) de Maria Isabel Barreno.

Finalmente, Abelaira teve uma forte ligação à comunicação social já que integrou a redação da revista Almanaque,  dirigiu a revista Seara Nova (1968-1969) e a revista Vida Mundial (1974-1975), assinou a  rubrica «Entrelinhas» no diário O Século  (a partir de janeiro de  1974), foi cronista em O Jornal com «Escrever na água» (1978-1992) bem como no Jornal de Letras com «Ao pé das letras» (1981 a 1996). Após o 25 de Abril de 1974, integrou a direção de Programas da RTP (1977-1978) e foi membro do Conselho de Imprensa e da Alta Autoridade para a Comunicação Social.

Augusto Abelaira foi ainda Presidente da Associação Portuguesa de Escritores no biénio 1978-1979. Já antes se havia mostrado um cidadão empenhado e crítico na luta contra o regime salazarista, participando em  movimentos  de oposição e chegou mesmo a ser detido em 1965, por como presidente do júri, ter atribuído o Grande Prémio da Novelística da Sociedade Portuguesa de Escritores ao angolano José Luandino Vieira – que estava então preso no Tarrafal-  pelo seu Luuanda. Neste contexto, ficou proibido de ser docente no ensino particular.

O nome de Augusto Abelaira está presente também na toponímia de Ançã (Cantanhede), Oeiras e Vale de Milhaços.

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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